“Neste momento, há um quadro de grande indefinição e instabilidade. A organização congénere da Juventude Socialista (JS) não acompanhou, evidentemente, a tentativa de golpe de Estado e vê com preocupação o que está a acontecer na Turquia, onde existe um estado de exceção que tem permitido ao presidente cometer atos que levantam dúvidas, como a detenção destes 13 militantes socialistas”, disse à Lusa João Torres, que após a deslocação a Istambul seguiu para um acampamento em Jala, na Albânia.

Nos últimos dias, a delegação da JS encontrou-se com Gokce Gokcen, a dirigente da Juventude Socialista da Turquia e vice-presidente da Young European Socialists (YES), na praça Taksim, “palco de algumas das mais relevantes manifestações cívicas pela liberdade e democracia”, em Istambul.

João Torres apontou “um quadro de grande incerteza e instabilidade”, indicando que “há uma enorme expectativa sobre o que pode acontecer nas próximas semanas e meses”.

“Há receio de que, no campo dos direitos cívicos e sociais, haja agora um retrocesso em relação a alguns momentos positivos registados na Turquia nos últimos anos”, acrescentou o secretário-geral da JS.

Os 13 socialistas alegadamente ligados à organização da intentona de 15 de julho na Turquia foram presos no dia 02 de agosto, o que levou a JS a apelar à embaixada de Ancara em Lisboa para a “libertação imediata” dos jovens turcos.

Para João Torres, na sequência dos acontecimentos na Turquia, “é extemporâneo” abordar a questão da adesão do país à União Europeia, atendendo ao estado de exceção decretado pelo regime.

“Os acontecimentos das últimas semanas não facilitam o processo”, sustentou o secretário-geral da JS.

Entretanto, a delegação da JS participa agora num acampamento de verão em Jala, na Albânia, promovido pelo Levizja Rinore per Integrim (LRI), a organização albanesa congénere da Juventude Socialista.

Na quinta-feira, os membros da JS deslocam-se à Grécia, onde vão visitar o campo de refugiados de Katsikas onde preveem fazer o “levantamento” dos problemas reais sobre o encaminhamento das pessoas para os países de acolhimento na Europa.

Por outro lado, o jovem socialista renovou a sua preocupação com a situação de direitos humanos em Angola, apontando a existência de presos políticos e restrições à liberdade.

“Eu tenho muitas dúvidas sobre aquilo que está neste momento a acontecer em Angola sendo que há uma questão muito concreta sobre a qual não tenho nenhuma dúvida: é óbvio que há presos políticos em Angola e é óbvio que também há vários jovens ativistas que em circunstâncias muito pouco claras estão privados da sua liberdade”, disse João Torres, quando questionado pela Lusa sobre a situação dos 17 jovens ativistas angolanos que chegaram a ser acusados de tentativa de golpe de Estado em 2015.

“Quem não conhece em profundidade estas matérias tende sempre a fazer uma abordagem muito simplista das coisas e dos factos, e eu não quero incorrer nesse erro. Mas, para mim, é evidente que em Angola há abusos que levam a que muitas pessoas estejam hoje privadas de viver a sua vida em liberdade e para com essas pessoas e para com esses jovens em particular a JS já teve oportunidade de manifestar solidariedade e preocupação, votos que nós renovamos no dia de hoje”, acrescentou.

“Ter consciência dos problemas a uma escala europeia e mundial é algo que a JS tem obrigação de fazer. Tal como no passado, quando se mobilizou no passado por Timor Leste, e quando o faz de forma permanente pela independência do povo do Saara Ocidental e o faz agora o mesmo como os militantes da organização congénere que foram detidos na Turquia”, concluiu o dirigente da JS.

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