“Nós, os assassinos em série, somos os vossos filhos, os vossos maridos e estamos em todo o lado. Haverá mais dos vossos filhos que morrerão amanhã”. A frase pertence a Ted Bundy, um serial killer norte-americano cujo modus operandi passava por seduzir jovens universitárias e matá-las. Retratado no filme com Zac Efron, “A irresistível face do mal”, Ted é um dos 11 assassinos em série que entram no livro “Killers”, de autoria de Virginia López.

A jornalista espanhola radicada em Portugal recupera outra “sentença” de um dos mais mediáticos assassinos em série da década 70 nos EUA, responsável, julga-se, por 36 mortes. “O próximo assassino pode ser esse vizinho que te cumprimenta de forma educada a cada manhã e nada nos garante que não possamos ser a sua próxima vítima”, cita.

O livro nasce “sem procurar desculpabilizar, nem limpar a imagem”, antes quer “compreender e tentar refletir sobre o ser humano através destes monstros”, assumiu ao SAPO24 Virgina López.

Autora de “Espanha nem Bom Vento nem Bom Casamento (2012)” e “Impunidade (2013)”, além do livro de memórias de Maria das Dores – “Eu, Maria das Dores, me Confesso (2019)”, que ficou conhecida em Portugal como a socialite que mandou matar o marido, esta imersão no mundo dos assassinos em série “foi uma prova de amor”, sorri. “Fui desafiada pelo meu marido (Vasco Simões)”, sublinha, que, inicialmente “quis que romanceasse a vida de John Wayne Gasy", o “Palhaço Assassino”, alguém que está “dentro comunidade", participa “politicamente” e acaba a matar “33 rapazes”.

De um, nasceram “11 assassinos”, onde cabem “violadores, canibais ou necrófagos”. A título de exemplo, o livro inclui a história de “Jefery Dhamer”, canibal, “Ed Gein”, que arrancava a pele das vítimas, que veio a inspirar filmes como “Psyo”, o “Massacre do Texas” e Silêncio dos Inocentes”, “Alieen Wuornos”, a única mulher, cuja vida deu origem ao filme “The Monster”, 2003, que rendeu o Óscar de melhor atriz para Charlize Theron, o “português, Cabo Costa” ou “Pedrinho Filho”, brasileiro que “matou cerca de 100 pessoas, inclusive na prisão” e que “hoje é youtuber”, enumera.

As fontes de informação recolhidas passaram pela consulta de entrevistas, documentários, livros ou material disponível na internet. “Romanceamos algumas fases, mas não inventamos nada. É tudo real”, sublinha. “Falamos das atrocidades, o mais cru, mas também o porquê se torna assim e acaba assim”, atenta. “Não é homenagem, nem uma exaltação. O que eles fizeram foi terrível”, reforça.

“Foram feitas autópsias ao cérebro e não encontraram diferenças”, alerta Virginia López. Este livro procura, por isso, descrever os “métodos”, tentar entender as “motivações”, viajar até às suas “infâncias” e tentar perceber e detetar o “tal clique de mudança” na vida de todos os assassinos em série, sintetiza.

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