De acordo com o boletim mais recente, os 19 casos incluem 12 pessoas com idades entre os 70 e os 89 anos, quatro pessoas dos 50 aos 69, duas pessoas com mais de 90 anos e uma pessoa com 44 anos, funcionário do próprio hospital São Francisco Xavier.

Fonte da DGS explica ao SAPO24 que esta sexta-feira, 3 de outubro, foram confirmados 5 casos, hoje há 19, podem eventualmente vir a confirmar-se mais casos decorrentes das análises em curso. Como medidas preventivas foram transferidos doentes.

As próximas 72 horas serão decisivas para avaliação global, soube também o SAPO24 junto de fonte que acompanha o processo.

Número de casos pode aumentar

Em conferência de imprensa às 18:00 deste sábado, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, tinha dado conta de 18 casos detetados no São Francisco Xavier desde o dia 31 de outubro. Graça Freitas admitiu, no entanto, que este número poderia aumentar, tendo em conta o período de incubação de dez dias da doença e o facto de as medidas de contenção terem sido tomadas depois de conhecidos os primeiros casos.

"Podem [aumentar] por uma razão muito simples. O período de incubação - em que a pessoa teve contacto com o micro-organismo, o vírus ou uma bactéria, mas que ainda não tem sintomas - no caso da doença dos legionários pode ir até 10 dias. Não é frequente, mas pode acontecer. As medidas que foram tomadas farão efeito daqui para a frente, mas obviamente que não atuam retrospetivamente", disse Graça Freitas

SAPO24 soube, junto de fonte que acompanha o processo, que os próximos três dias serão decisivos para avaliação global.

De acordo com a diretora-geral de Saúde, existiam àquela hora 18 casos diagnosticados, estando internadas no São Francisco Xavier 16 pessoas infetadas com a bactéria 'Legionella pneumophila', duas delas na unidade de cuidados intensivos, uma outra numa unidade privada de saúde e outra ainda, que teve alta em 31 de outubro.

"Até ao momento, temos conhecimento de 18 casos, sendo que 17 foram diagnosticados, internados e tratados neste hospital [São Francisco Xavier] e um numa unidade de saúde privada, à qual recorreu por opção própria. Dos casos aqui, no São Francisco Xavier, um já teve alta, e os outros estão estáveis, sendo que dois estão em unidades de cuidados intensivos", disse Graça Freitas.

Fonte do contágio pode ser a rede de água do hospital

Já com o registo de três casos no hospital, as autoridades de saúde realizaram "uma investigação epidemiológica com duas linhas distintas", completou Graça Freitas.

"Uma das linhas é clínica, baseada nos doentes, e outra é uma investigação ambiental. A dos doentes apontou para que um foco possa estar aqui [no São Francisco Xavier]", afirmou a diretora-geral de Saúde, acrescentando que havia relação entre os infetados, um deles funcionário da própria unidade.

Com base nessa pista, a equipa que investigou a vertente da água conduziu análises na rede do hospital, enviou-as para o Instituto Ricardo Jorge, e estas apresentaram 'legionella'.

"Este é um dado ainda preliminar, requer cultura, e dentro de duas semanas teremos os resultados dessas culturas. Mas sim, existe um possível foco na água deste hospital. Pelas análises feitas na noite passada, a pista apontou para aqui", explicou.

A rede de água do São Francisco Xavier vai, assim, ser submetida a um choque térmico - a altas temperaturas - ou um choque químico - com injeções de cloro - para matar as bactérias.

INEM redireciona doentes mais graves

Para facilitar as medidas de controlo, o INEM deverá temporariamente "redirecionar para outras instituições hospitalares os doentes mais graves que se destinariam ao Serviço de Urgência do Hospital de São Francisco Xavier, que se irá manter aberto para os restantes doentes", explicava a DGS num comunicado divulgado na tarde deste sábado.

"Este não é um acontecimento extraordinário"

Graça Freitas deixou uma mensagem de tranquilidade face a este novo foco de "legionella", afirmando que "é causada por uma bactéria que é muito frequente na Natureza".

"Este não é um acontecimento extraordinário. Isto passa-se em todo o mundo, e em Portugal habitualmente temos cerca de 200 casos por ano, com pequenos surtos", disse a responsável, garantindo que existem "planos de contingência, internacionais e das instituições" de saúde pública.

"Este hospital tem um plano de contingência", realçou Graça Freitas, explicando que o São Francisco Xavier agiu rapidamente e corretamente para lidar com o caso.

Número de casos tem vindo a aumentar desde sexta-feira

Ainda antes da conferência de imprensa no Hospital e São Francisco Xavier, um comunicado daa Direção Geral de Saúde explicava que até às 17:00 deste sábado  tinham sido "diagnosticados, desde o dia 31 de outubro de 2017, no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) – Hospital de São Francisco Xavier, 15 casos de Doença dos Legionários, confirmados laboratorialmente, dos quais 9 diagnosticados no dia de ontem [sexta-feira]."

Outro dos casos, com ligação epidemiológica ao Hospital de São Francisco Xavier, foi diagnosticado numa unidade de saúde privada, onde se encontra internado, explica a mesma fonte.

"Dos 16 doentes, 15 foram internados no CHLO, 1 já teve alta e 14 mantêm-se internados, dos quais 2 em Unidade de Cuidados Intensivos, todos clinicamente estáveis. Os doentes são, na sua maioria, idosos com fatores de risco associados", acrescentava a DGS na informação divulgada esta tarde.

"Na sequência da investigação epidemiológica, de forma a avaliar a situação, recolheram-se amostras em vários pontos dos circuitos de água do Hospital de São Francisco Xavier. Estas amostras foram analisadas no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e revelaram a presença de Legionella.", pode ler-se.

No mesmo documento, a DGS adianta, contudo, que por precaução estão a ser tomadas "medidas adequadas para interromper a possível fonte de transmissão."

"A Direção-Geral da Saúde sublinha que a doença se transmite através da inalação de aerossóis contaminados com a bactéria e não através da ingestão de água. A infeção, apesar de poder ser grave, tem tratamento efetivo", esclarece aquela entidade.

A doença, provocada pela bactéria 'legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares. Não se verifica o contágio de pessoa para pessoa.

Em Portugal a doença foi detetada pela primeira vez em 1979 e pertence à lista das Doenças de Declaração Obrigatória (DDO).

O caso mais grave foi o surto registado em novembro de 2014 no concelho de Vila Franca de Xira, responsável por 12 mortos e 375 doentes, dos quais quase metade teve de ser assistidos em cuidados intensivos. A doença teve origem numa torre de arrefecimento da empresa Adubos de Portugal.

Marcelo já visitou o São Francisco Xavier

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve este sábado no São Francisco Xavier, "para se informar sobre os casos de legionella surgidos nos últimos dias", diz Belém numa nota divulgada na página da Internet da Presidência da República.

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