“Estamos mal, estamos péssimos. Precisamos mesmo de ajuda”. As palavras são de uma moradora do Bairro de Jamaica que esta tarde foi contando à coordenadora do BE, Catarina Martins, os problemas deste complexo habitacional cuja solução tarda em chegar.

Fintando a lama do chão que envolve os blocos que não foram ainda demolidos, a comitiva do BE foi avançando e entrou em diferentes casas, acompanhada pelos elementos da associação de moradores, ouvindo queixas pela falta de condições de habitabilidade e pelo risco que representam estes prédios.

Inundações, buracos, humidade, mau cheiro são a realidade destas pessoas que, segundo a associação de moradores, são 187 as que pediram para ser realojadas, estando 37 previstas para a próxima vaga que dizem ainda não saber quando será.

De acordo com Fernando Coxi, da associação de moradores, o pedido sobre o realojamento foi “para que não fosse um novo Bairro Jamaica”.

Já Vanusa Coxi recordou que no final 2018 saiu o lote 10, estando previsto para 2022 terminar “este problema”.

“Não acredito que vai acontecer”, lamentou, explicando que, segundo a câmara, o que fez atrasar o realojamento “foi não só a covid, como a subida do preço das casas”.

Sendo a nova data para o fim deste bairro 2026, Vanessa assumiu estar “farta de promessas” porque “há pessoas à espera há 20 e tal anos de poderem ser realojadas”.

“Viram todos como eu vi as condições em que vivem estas famílias. Famílias trabalhadoras, famílias que foram remetidas para esta situação precária há já mais de 20 anos e que precisam de uma solução”, disse, aos jornalistas, Catarina Martins.

Recordando a aprovação de uma lei de bases da habitação e, “mais tarde, de questões orçamentais muito claras sobre o primeiro direito e sobre o realojamento de tantas famílias em Portugal” como as do Bairro da Jamaica, a líder do BE critica o “passa-culpas” entre IHRU e Câmara do Seixal, que “não têm resolvido o problema”.

“O PS esquece o seu compromisso para com a habitação, para com o 1.º direito e adia soluções de realojamento que já deviam ter avançado e é por isso é que tão importante a esquerda e a força do BE porque nós não esquecemos nenhum dos nossos compromissos, não esquecemos o compromisso com a habitação e de realojamento de quem vive em situação tão precária”, comprometeu-se.

De acordo com Catarina Martins, “há quem atrase a responder pelo direito à habitação” e “há quem goste de fazer pingue-pongue de responsabilidades”, mas garantiu que “essa não é a forma de estar do BE”.

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