A região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo registou nas últimas 24 horas mais 323 infeções. Esta zona domina assim grande parte dos 350 novos casos que surgiram em Portugal até à meia-noite.

É uma "situação complexa", com "várias e diversas causas", explicou a diretora-geral da Saúde. Há surtos em fábricas, lares, obras e bairros, para além da circulação comunitária do vírus.

"Há surtos associados a diversas tipologias", disse Graça Freitas, em resposta aos jornalistas.

"O padrão em Lisboa é de adultos jovens e nem todas as situações estão ligadas a empresas, muitas destas estão no seio da comunidade. Há uma tendência para aliviar o comportamento".

"As pessoas jovens têm tendência a ter doença ligeira, mas isto não é uma constatação. E mesmo que eles tenham uma doença ligeira (...) podem transmitir [a doença] a grupos de risco, a pessoas mais idosas, aos seus familiares, pais, avós, tios e vão perpetuar a transmissão", alertou, desincentivando aglomerados e ajuntamentos.

“Não podem continuar a tolerar-se comportamentos que ponham em risco a saúde pública e sobretudo a saúde daqueles mais vulneráveis, os idosos e os doentes”, afirmou, apelando à população jovem "que altere o seu comportamento", mantendo o distanciamento e evitando ajuntamentos.

Questionada sobre a situação epidemiológica na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde o aumento de novos casos tem sido, nos últimos dias, superior em relação ao resto do país, a diretora-geral reforçou que a situação é complexa.

“Quando digo complexa é porque tem várias e diversas causas”, explicou, referindo que além dos pequenos focos no polo industrial da Azambuja, em seis grandes obras, em bairros sociais e em lares, também se regista a circulação comunitária do vírus.

Segundo os últimos dados, na região de Lisboa e Vale do Tejo há cerca de 4.400 doentes ativos entre os 10.643 casos confirmados desde o início da pandemia, sendo que a maioria dos doentes (cerca de 5.700) já recuperou.

Sem adiantar se estão previstas medidas excecionais para Lisboa durante a terceira fase de desconfinamento, remetendo a questão para a reunião do Conselho de Ministros que decorre hoje, Graça Freitas aproveitou a conferência de imprensa para fazer um apelo à população jovem, que compõe a região.

Recordando que a sintomatologia da doença da covid-19 tende a ser ligeira nos mais jovens, a diretora-geral sublinhou que mesmo essas pessoas podem transmitir o vírus a grupos de risco e, por isso, também o comportamento dos jovens deve ser exemplar.

“O meu apelo para a população jovem é que evite concentrações, que mantenha a distância física, que altere o seu comportamento, porque depende de todos nós e do nosso comportamento interromper cadeias de transmissão”, afirmou.

Graça Freitas sublinhou ainda que as autoridades de saúde gostariam que os próprios cidadãos “autorregulassem” o seu comportamento, lamentando que, nos últimos dias, isso não se tem verificado na região de Lisboa, onde tende a haver uma maior concentração de pessoas nos espaços públicos.

Questionada sobre a possibilidade da reabertura dos centros comerciais durante a terceira fase de desconfinamento, que arranca segunda-feira, a diretora-geral não confirmou a medida, dizendo apenas que “o risco depende do comportamento” de cada um.

"Mesmo com os centros comerciais fechados, não se está a evitar grandes ajuntamentos noutros espaços", lamentou, dando como exemplo os cafés e mesmo os espaços ao ar livre.

"Nos últimos dias tem-se assistido em Lisboa a concentração de pessoas acima do desejável".

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou que é "natural" que os centros comerciais em Lisboa não abram já porque se tratam de espaços com "grande concentração de pessoas".

No caso dos trabalhadores, a diretora-geral da Saúde lembra que os empregadores "têm obrigações" às quais o ministério da Saúde não se pode substituir.

Portugal regista hoje 1.383 mortes relacionadas com a covid-19, mais 14 do que na quinta-feira e 31.946 infetados, mais 350, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Registam-se também 17 novos internamentos, o maior aumento de internados desde 7 de maio, e mais um internado em unidades de cuidados intensivos. Contabilizou-se ainda um aumento de 274 casos recuperados, fixando-se o total agora nos 18.911.

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