O chefe de Estado também pediu às autoridades libanesas para “agirem para que o país não se afunde e para responderem às aspirações que o povo libanês exprime com legitimidade nas ruas de Beirute, neste momento. Todos juntos temos o dever de fazer tudo para que a violência e o caos não prevaleçam”.

“Porém, hoje, quem tem interesse nesta divisão e caos são os poderosos que querem, de alguma forma, mal ao povo libanês”, acrescentou o Presidente, sem citar nomes.

Emmanuel Macron apresentou, a partir da sua residência de Brégançon, em Borme-les-Mimosas (Var, sul de França), a videoconferência coorganizada em poucos dias pela ONU e França e que reúne cerca de 15 dirigentes.

Entre os dirigentes está o Presidente norte-americano Donald Trump que justificou a participação por querer estar “ao lado de Beirute e do povo libanês” que “lamenta os seus mortos, exprime a sua raiva e quer levantar a cabeça” após a explosão que danificou parte da capital libanesa na terça-feira.

“Neste exato momento, (…) é o futuro do Líbano que está em jogo”, disse Emmanuel Macron, apelando novamente a “uma investigação imparcial, credível e independente sobre as causas da catástrofe de 04 de agosto”.

O Presidente francês insistiu na necessidade de “união” da comunidade internacional apesar das “condições geopolíticas” em redor do Líbano.

Macron acrescentou esperar que a Rússia e a Turquia, que “não poderia participar da videoconferência”, prestem apoio assim como Israel, que “manifestou interesse em prestar assistência”.

“Esta oferta de ajuda também inclui o apoio a uma investigação imparcial, confiável e independente das causas da catástrofe. É um pedido forte e legítimo do povo libanês. É uma questão de confiança. Os meios estão disponíveis e devem ser mobilizados”, afirmou. disse.

Porém, nem o Presidente libanês, Michel Aoun, nem o líder do movimento xiita Hezbollah, Hassan Nasrallah, querem estrangeiros a participar na investigação, alegando a soberania do Líbano para gerir os seus assuntos.

Entre os participantes na videoconferência, além do anfitrião Micuel Aoun, estão o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, os primeiros-ministros de Espanha, Pedro Sánches, de Itália, Giuseppe Conte, e o secretário geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit.

A videoconferência coorganizada pela ONU e pela França para angariar doadores para o Líbano, cuja capital Beirute foi devastada por uma explosão na terça-feira, teve início hoje e tinha sido anunciada por Emmanuel Macron, na quinta-feira, numa conferência de imprensa na capital do Líbano, onde se deslocou para prestar apoio e solidariedade.

“[A intenção passa por mobilizar] financiamento internacional, dos europeus, dos americanos, de todos os países da região, para fornecer medicamentos, cuidados de saúde e alimentos”, sublinhou na quinta-feira o Presidente francês.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, numa mensagem hoje na rede social Twitter, falou sobre a videoconferência que junta “o Presidente Macron, os líderes do Líbano e líderes de outros lugares do mundo” e defendeu que “todo mundo quer ajudar!”, mencionando ainda ter falado com Macron a propósito da reunião.

Durante a visita à capital do Líbano, o Presidente francês prometeu que o dinheiro não iria para a “corrupção” e, segundo uma fonte diplomática, citada pela AFP, que a ajuda vai ser concentrada nas necessidades de alimentos e infraestruturas.

Na terça-feira, um incêndio num armazém onde 2.700 toneladas de nitrato de amónio estiveram armazenadas durante seis anos, no porto de Beirute, causou uma explosão que provocou 158 mortos, cerca de 6.000 feridos, e dezenas de desaparecidos e centenas de milhares de desabrigados, segundo o último relatório divulgado pelas autoridades.

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