As obras no Grande Colisionador de Hadrões (LHC), cujo início foi hoje assinalado numa cerimónia na sede do CERN, em Genebra, na Suíça, vão decorrer até 2026 e permitirão aumentar o número de colisões em grandes experiências, potenciando a descoberta de “novos fenómenos”, refere em comunicado o CERN, que opera o LHC, localizado na fronteira franco-suíça.

O acelerador de partículas, onde se confirmaram importantes descobertas como o bosão de Higgs, em 2012, continuará a funcionar durante os trabalhos, com exceção em duas paragens técnicas para preparar as beneficiações de alta luminosidade que vão ser introduzidas e executar as habituais atividades de manutenção.

Concluídas as obras, o LHC deverá produzir dados em modo de alta luminosidade, abrindo caminho a futuros aceleradores de maior energia, segundo o CERN, organização da qual Portugal faz parte.

Os trabalhos, que vão decorrer na Suíça e em França, incluem a construção de novos edifícios, túneis e galerias subterrâneas, que receberão novos equipamentos, sistemas de energia e diferentes estações de eletricidade, refrigeração e ventilação.

Elementos da atual máquina terão de ser substituídos por novos componentes de alta tecnologia, como cavidades de radiofrequência e ímans.

“O LHC de alta luminosidade estenderá o alcance do LHC para lá da sua missão inicial, ao proporcionar novas oportunidades de descoberta, ao medir com mais precisão as propriedades de partículas como o bosão de Higgs e investigar mais a fundo os constituintes fundamentais do Universo”, afirmou a diretora-geral do CERN, Fabiola Gianotti, citada no comunicado.

O acelerador, um túnel de 27 quilómetros de circunferência, começou a colidir partículas em 2010, sendo capaz de produzir mil milhões de colisões entre protões por segundo (‘pacotes’ de protões viajam a uma velocidade próxima à da luz e entram em choque em quatro pontos de interseção).

O mesmo acelerador, mas de alta luminosidade, aumentará o número de colisões, uma vez que, de acordo com os físicos, a sua luminosidade será melhorada, permitindo “acumular cerca de dez vezes mais dados”, entre 2026 e 2036.

As colisões de protões (que, como os neutrões, são hadrões, partículas compostas por ‘quarks’, os elementos básicos da matéria) dão origem a novas partículas que são registadas pelos detetores em redor dos pontos de interseção.

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