Estes números, revelados pelo jornal britânico The Observer, foram confirmados neste domingo pela AFP junto da assessoria de imprensa da Europol. Segundo Brian Donald, da Europol, citado pelo The Observer, esse número diz respeito a crianças cujo rasto foi perdido depois de serem registadas pelas autoridades europeias. Cerca de metade delas desapareceu em Itália.

"Não é desajustado estimar que estamos a falar de um total de mais de 10.000 crianças", explica Donald. "Mas nem todas estarão a ser exploradas para fins criminosos, há algumas que se juntaram aos seus familiares. Simplesmente, não sabemos onde estão, o que fazem e com quem". Um porta-voz da Europol disse à AFP que o número foi obtido nomeadamente com base nas informações fornecidas pelos países europeus ou disponíveis publicamente, por exemplo, na internet.

Cerca de um milhão de migrantes chegaram à Europa em 2015 como parte da pior crise migratória que atinge este continente desde a II Guerra Mundial, estima a Europol, citada pelo Observer. Cerca de 27% deles são crianças. "Nem todos os menores de idade estão desacompanhados, mas temos provas de que uma grande parte deles possivelmente estará sozinha", afirma Donald.

Donald garante que uma "infraestrutura criminosa" pan-europeia procura os migrantes para diversos fins. Na Alemanha e na Hungria, em particular, um grande número de criminosos foram detidos por explorarem os migrantes. "Toda uma infraestrutura tem-se desenvolvido ao longo dos últimos 18 meses, a fim de explorar o fluxo de migrantes", afirma este agente da Europol. "Há na Alemanha e na Hungria prisões em que a grande maioria dos residentes esteve envolvida em atividades criminosas relacionadas com a crise migratória". Grupos criminosos que se dedicam ao tráfico de seres humanos são agora ativos também nas redes de imigração ilegal para explorar os migrantes, ressalta Donald, que lembra a escravidão ou as atividades ligadas ao comércio do sexo.

Organizações que trabalham na "Rota dos Balcãs" indicaram à Europol que veem a exploração de crianças migrantes como um "grande problema", segundo a mesma fonte. O governo britânico havia anunciado na quinta-feira que iria acolher as crianças refugiadas que foram separadas das suas famílias pelo conflito na Síria e em outros países. 

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