Em comunicado hoje divulgado, o Mais Sindicato (ex-Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas) diz que antes de mais importa esclarecer que o conceito de salário mínimo corresponde ao "valor mais baixo que os empregadores podem legalmente pagar aos seus trabalhadores" e que, tendo em conta os níveis salariais existentes na CGD, o salário mínimo no banco público é de 705 euros brutos (correspondente ao nível 1, o mesmo valor de salário mínimo dos restantes trabalhadores em Portugal).

Contudo, afirma, de momento a CGD já não contrata trabalhadores abaixo do nível quatro, pelo que, "assim, pode considerar-se que o nível mínimo de admissão na CGD é o 4, que corresponde a um salário de 989 euros em 2022".

Segundo o sindicato, quando a CGD divulga um comunicado em que fala que o salário mínimo dos trabalhadores efetivos é 1.359 euros (somando ao nível 5, que tem um salário base de 1.119 euros o subsídio de alimentação) está a "desvirtuar completamente a realidade" sendo o objetivo "causar confusão".

"O Mais Sindicato repudia esta atitude manipuladora, considerando que fazer crer que os trabalhadores bancários, nomeadamente os da CGD, são bem pagos, só ilude a opinião pública, que desconhece a situação no setor: os bancários têm sofrido, ao longo de anos, com as estratégias de administrações exclusivamente focadas no lucro, com fecho de balcões, despedimentos, anos sem aumentos salariais e, quando os houve, abaixo da inflação", lê-se no comunicado.

O sindicato afirma que o setor bancário exige trabalhadores qualificados, desde logo com licenciatura, pelo que considera que, "obviamente, estão em causa valores baixíssimos face às competências exigidas" e os "bancários têm sofrido, ao longo de anos, com as estratégias de administrações exclusivamente focadas no lucro, com fecho de balcões, despedimentos, anos sem aumentos salariais e, quando os houve, abaixo da inflação".

O Mais Sindicato desafia ainda a administração da CGD a falar sobre a remuneração dos altos quadros e a comparar com as de outras empresas.

"Uma coisa é certa: os trabalhadores da CGD muito gostariam que o vencimento mínimo no banco fosse de 1.359 euros e que isso significasse que o fosso salarial entre a base e o topo da tabela não fosse tão grande e injusto", conclui o Mais Sindicato.

A polémica entre a CGD e as estruturas representativas dos trabalhadores sobre os salários praticados no banco público iniciou-se na semana passada.

Na manhã de 11 de fevereiro, a CGD disse em comunicado que, com a última atualização salarial, "aumentou o salário mínimo aos trabalhadores nos quadros para 1.359 euros" brutos (valor que inclui subsídio de alimentação), referindo que isso "coloca a remuneração mínima oferecida pelo banco aos seus colaboradores substancialmente acima daquele que é o vencimento médio a nível nacional”.

A CGD afirmou ainda que o salário médio dos trabalhadores que estão nos quadros da CGD “ascende a 2.462 euros”.

Ao início da tarde, a Comissão de Trabalhadores (CT) da CGD acusou o banco público de passar uma “imagem fabricada” e querer pôr os trabalhadores da Caixa "numa posição fragilizada perante a opinião pública, rotulando-os como um universo de trabalhadores privilegiados, com salários acima da média e prémios invejáveis”, ao divulgar 1.359 euros de salário mínimo.

A CT esclareceu que “o conceito de salário mínimo não inclui o subsídio de refeição nem qualquer outra verba de expressão pecuniária”.

Já na tarde desse mesmo dia, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados da CGD de 2021 (lucros de 583 milhões de euros, mais 18,7% do que em 2020), o presidente executivo da CGD disse que a administração do banco público não considera que "haja privilégio para os trabalhadores da Caixa", mas considerou que quando se discute a CGD "é bom que portugueses saibam" de tudo.

"O que queremos dizer não é que alguém ganha muito ou pouco. São remunerações adequadas, havendo sempre um ou outro caso pontual. Num banco com estas remunerações não se justifica fazer certo tipo de ações, como greves, quando se está em conciliação [negociação com sindicatos], que não existem noutras instituições onde há trabalhadores com salários baixíssimos, como seja nos têxteis ou no calçado", disse Paulo Macedo na conferência de imprensa.

Já esta terça-feira (16 de fevereiro), o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) disse em comunicado que o salário mínimo da CGD é atualmente de 876 euros brutos (pois é esse o valor base de salário correspondente ao nível três da tabela salarial, onde ainda há trabalhadores). Atualmente não existem trabalhadores nos níveis um e dois.

Apresentando-se como “o sindicato destacadamente mais representativo dos trabalhadores da CGD”, o STEC considerou necessário “clarificar” a informação, garantindo que a informação da CGD “pretende apenas induzir na opinião pública a ideia de que o trabalhador da CGD é um privilegiado”.

Em reação, ao final do dia de terça-feira, a CGD reafirmou que a "remuneração total mínima" dos trabalhadores efetivos é pelo menos de 1.359 euros.

Tendo em conta os valores aparentemente divergentes dados pelo sindicato e pela CGD, a Lusa contactou fonte oficial da Caixa que explicou que a remuneração total referida corresponde ao que designam por salário fixo (salário base e diuturnidades) e subsídio de alimentação dos trabalhadores efetivos.

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