Um porta-voz da polícia daquela cidade do estado de Minnesota confirmou que a terceira esquadra, situada perto do local onde Floyd morreu, foi evacuada “no interesse da segurança do pessoal”. O incidente deu-se pouco depois das 22:00 de quinta-feira (05:00 de hoje em Lisboa).

Num vídeo divulgado online, um grupo de pessoas entra no edifício, fazendo disparar os alarmes de incêndio e os aspersores usados no combate às chamas.

A cidade do estado do Minnesota registou ainda três dezenas de incêndios noutros locais e o saque de várias lojas, a maioria perto do local onde Floyd morreu. Num centro comercial em frente à terceira esquadra, as montras de quase todas as lojas foram estilhaçadas, com manifestantes a atirarem manequins de uma loja saqueada para dentro de um automóvel em chamas, em cenas de violência que se multiplicaram noutras partes da cidade.

O democrata Tim Walz, Governador do Minnesota, já deu ordens para ativar a Guarda Nacional para dar respostas aos protestos e declarou o Estado de Emergência em Minneapolis, St. Paul e zonas circundantes, de acordo com o The Guardian.

O governador esclarece que apoia os protestos pacíficos mas, "infelizmente, alguns indivíduos envolveram-se em atividades ilegais e perigosas, incluindo fogo posto, motins, pilhagens e danos à propriedade pública e privada".

O presidente norte-americano, Donald Trump, já reagiu à terceira noite de protestos em Minneapolis na rede social Twitter, afirmando que o exército está pronto para intervir — e qualificou os protestantes de "marginais" [Thugs]. E deixou o aviso: "quando as pilhagens começarem, os tiros vão começar".

O Twitter, no entanto, bloqueou a mensagem por causa da "glorificação da violência". Não foi apagada, mas foi substituída por um aviso — que se clicado pelo utilizador permite a visualização do tweet.

Nos protesto é possível ver cartazes com as frases I can't Breath ("Não consigo respirar"), Stop Killing ("Parem de Matar") ou Black Lives Matter ("Vidas Negras Importam").

Dezenas de empresas em Minneapolis entaiparam as montras na quinta-feira, num esforço para evitar pilhagens, com a cadeia de lojas Target a anunciar o encerramento temporário de duas dúzias de estabelecimentos na zona. As autoridades da localidade encerraram a maioria dos transportes no domingo passado, por razões de segurança.

Os protestos contra a morte de George Floyd, que entraram no terceiro dia consecutivo, alastraram-se também a St. Paul, capital do estado do Minnesota, com a polícia a tentar impedir o saque de lojas e os bombeiros a serem chamados para combater incêndios.

Na quinta-feira à noite, em St. Paul, nuvens de fumo pairavam no ar, enquanto a polícia, armada com bastões e máscaras de gás, vigiava os manifestantes na maior rua comercial da cidade. As forças de segurança tentaram impedir manifestantes de saquear um armazém Target, havendo registo de muitas montras partidas.

Os protestos espalharam-se também a outras zonas do país. Em Nova Iorque, apesar da epidemia da covid-19, manifestantes organizaram concentrações públicas na quinta-feira, em alguns casos com confrontos policiais. Em Denver, manifestantes bloquearam o trânsito no centro da cidade.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu na noite de segunda-feira em Minneapolis, após uma intervenção policial violenta, cujas imagens se tornaram virais. Floyd foi detido por suspeita de ter tentado pagar com uma nota falsa de 20 dólares num supermercado. Num vídeo filmado por transeuntes e divulgado nas redes sociais, é possível ver um dos agentes pressionar o pescoço da Floyd com o joelho durante vários minutos.

A polícia alegou que o homem resistiu à prisão, mas novas imagens, captadas pelas câmaras do restaurante em frente ao qual ocorreu a detenção, mostraram Floyd a ser conduzido para a viatura policial, de mãos algemadas nas costas e sem oferecer resistência.

Os quatro polícias envolvidos foram despedidos e as autoridades locais e federais estão a investigar o incidente, mas ainda não houve acusações.

Na quinta-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michele Bachelet, condenou o caso, apelando às autoridades para adotarem “medidas sérias” para pôr termo a estas mortes de afro-americanos.

“Esta foi a última de uma longa série de mortes de afro-americanos não armados cometidas por polícias norte-americanos e autojusticeiros (…). As autoridades norte-americanas devem tomar medidas sérias para pôr termo a estas mortes e assegurar que seja feita justiça quando ocorrem”, indicou Michele Bachelet em comunicado.

* Com agências

(Artigo atualizado às 09:41)

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