"Eu não sei o que seja verdadeiro jornalismo que se não defina contra a indiferença. O jornalismo digno desse nome deve estar sempre contra a indiferença, ou seja, contra a violação da dignidade da pessoa, contra os atentados aos direitos, à liberdade, contra as discriminações pessoais, políticas, económicas e culturais", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa discursava na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, após entregar o prémio da AMI (Assistência Médica Internacional) "Jornalismo contra a indiferença" a Joana Gorjão Henriques e Frederico Batista, do Público, por uma série de reportagens "Racismo em português" e a Sofia Pinto Coelho e equipa, da SIC, pela reportagem "Renegados", sobre os problemas na aplicação da lei da nacionalidade.

Segundo o Presidente da República, ou o verdadeiro jornalismo "é sempre contra a indiferença" ou então "não é jornalismo, é outra coisa, negócio, propaganda, rotina burocrática, promoção pessoal, carreirismo, funcionalização átona e associal".

Falando da reportagem da SIC "Renegados", Marcelo Rebelo de Sousa lembrou até que está "para apreciação próxima" no parlamento um conjunto de diplomas que incide sobre a lei da nacionalidade, "pode aí surgir um ensejo adicional para eventual reponderação da matéria que versou".

Os dois trabalhos que venceram o 1.º prémio da 19.ª edição do prémio da AMI receberam 7500 euros e uma escultura da autoria de João Cutileiro.

O júri do prémio distinguiu mais três trabalhos com uma menção honrosa: Grande Reportagem "Angola", da jornalista Susana André, SIC, "Eu é que sou o presidente da Junta", Miriam Alves, SIC, e "Lágrima que deito", Mafalda Gameiro, RTP.

"Racismo em português" resultou de um ano de reportagens em cinco das ex-colónias portuguesas a propósito dos 40 anos da descolonização e "Renegados" relata os problemas enfrentados pelas pessoas a quem foi retirada a nacionalidade portuguesa, apesar de terem nascido, crescido, estudado e trabalhado em Portugal.

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