"Estas eleições para a Assembleia da República são, verdadeiramente, diferentes. Diferentes porque, sendo as primeiras eleições parlamentares realizadas em pandemia e após rejeição, também pela primeira vez, de um Orçamento de Estado em Democracia, nelas confirmámos o domínio de três temas: a própria pandemia e a saúde; a urgente melhoria das condições de vida, a próxima fórmula governativa, por cada qual preconizada", começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa, que continuou de seguida a enumerar diferenças.

"Diferentes, porque, nelas, confirmámos que o choque da pandemia tem sido tão abrupto e prolongado que recuperar economia e mitigar pobreza e desigualdades sem mudanças de fundo, corre o risco de ser encharcar com milhões as areias de um deserto", acrescentou ainda.

De seguida, o presidente da República frisou que também foi com estas eleições que "confirmámos o relevo do voto antecipado, a sugerir a oportuna reponderação do dia de reflexão, pensado para outra época e para outras preocupações", bem como "a falta de uma lei de emergência sanitária, de que falei há um ano, e a necessidade de revisão da lei eleitoral, tão rígida que exclui votação fora de domingos e feriados, e não permite horários flexíveis, assim fechando portas a situações excecionais".

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou ainda que as legislativas permitiram confirmar "uma audiência sem precedente nos numerosos e mobilizadores debates e entrevistas, em clássicos e novos meios digitais, a testemunhar o elevado empenhamento de partidos e seus dirigentes e o profissionalismo de jornalistas, e a aconselhar cuidado acrescido naqueles que pensam regressar, no futuro, a poucos e seletivos debates audiovisuais".

Realçando a "serenidade no mês seguinte à convocação das eleições, e uma pré-campanha e campanha, nalguns pontos, muito diversas das tradicionais, por causa da pandemia", o presidente da República acentuou "a participação de mais jovens", numa campanha diferente, já que há "certos meios e estilos que passaram e dificilmente voltarão a ser como eram".

Para Marcelo, estas eleições confirmam também, "numa época de emoção incontida, mesmo em Democracias as mais antigas, evidente civismo, efetivo respeito pela diversidade, e até calorosa solidariedade, em situações e episódios mais sensíveis", sem "violência individual ou coletiva".

"Numa palavra, nelas, confirmámos o apego de todos nós à Democracia, que é o regime da liberdade, do pluralismo, da aceitação do outro e dos outros", frisou.

Depois da análise dos dias que passaram, Marcelo deixou algumas palavras sobre o dia de amanhã. "Só falta, agora, para a grande maioria dos portugueses, o último passo – o do voto".

"Amanhã eu lá estarei, como sempre, com o meu, um em milhões, a dizer o que penso sobre os próximos anos para Portugal. Anos de saída de uma penosa pandemia, de urgente reconstrução da economia, da sociedade, do ambiente, da vida das pessoas, de difíceis desafios europeus, e de tensão mundial como já não existia há quase vinte anos", disse.

"Eu sei que pandemia, cansaço, conformismo, e outras razões do foro íntimo, são, para muitos, argumentos para escolher não escolher. Mas, nestas eleições tão diferentes, num tempo tão diferente e tão exigente, votar é também uma maneira de dizermos que estamos vivos e bem vivos, e que nada, nem ninguém, cala a nossa voz", apontou Marcelo.

Evocando a situação pandémica, o presidente reforçou a ideia de se votar "sem temores nem inibições".

"Como o fizemos, em Setembro, nas eleições locais, e, há um ano, nas eleições presidenciais. Na altura, há um ano com mais de trezentos mortos por dia, mais de oitocentos cuidados intensivos e mais de seis mil internados. E sem vacinas", lembrou, afirmando por fim que "podemos, pois, amanhã, votar em consciência e em segurança".

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