“Vinte anos depois do 11 de Setembro, um ano e meio depois do início desta pandemia e um mês após a retirada [das tropas norte-americanas] do Afeganistão, temos de perceber que o mundo é multipolar e tem de ser mais multilateral: não é uma questão de escolha, é uma questão de factos”, declarou o chefe de Estado português, numa intervenção na 16.ª reunião do Grupo de Arraiolos, em Roma.

Discursando no final do encontro que juntou na capital italiana Presidentes da República não executivos de 15 Estados-membros da UE, Marcelo Rebelo de Sousa vincou que “a UE tem de desempenhar um papel ainda mais importante, tanto quanto a si própria, mas também relativamente aos aliados na NATO, os parceiros e, em geral com todo o mundo”.

“E estamos numa posição única de construir pontes no clima, na saúde, no [combate ao] terrorismo, nas migrações, na energia, no digital e, claro, nos direitos humanos”, elencou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu, assim, união entre os países da UE: “Temos de ser mais unidos. Somos todos diferentes, mas há algo que temos em comum, que são os valores e os princípios do projeto europeu”.

“Temos de ter bem-sucedidos na transição da pandemia para a endemia, na recuperação da crise social e económica, na nossa coesão politica e social e não podemos perder tempo e temos de aprender as lições do passado”, sustentou ainda o chefe de Estado.

E avisou: “Qualquer tempo perdido, irá voltar-nos para nos assombrar, [mas] estou convencido de que seremos bem-sucedidos”.

Marcelo Rebelo de Sousa reuniu-se hoje com 14 homólogos da UE que integram o Grupo de Arraiolos, naquela que foi a 16.ª edição da iniciativa fundada pelo antigo chefe de Estado Jorge Sampaio e que foi organizada pela presidência italiana.

Na capital italiana realizou-se então este ano a 16.ª reunião do Grupo de Arraiolos, que junta anualmente presidentes não executivos de 15 Estados-membros da UE e que foi uma iniciativa lançada por Jorge Sampaio, que morreu na passada sexta-feira, quando era Presidente da República.

Em 2003, o então chefe de Estado português, Jorge Sampaio, promoveu um encontro na vila alentejana de Arraiolos para discutir o futuro da União Europeia com um conjunto de Presidentes da República com poderes semelhantes aos seus.

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, no distrito de Lisboa, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

A reunião deste ano, organizada pela Presidência italiana, decorreu Palácio do Quirinal, local da residência oficial do chefe de Estado italiano.

Marcelo Rebelo de Sousa, que assumiu funções como Presidente da República em março de 2016, esteve presente na 12.ª reunião, que decorreu nesse ano na Bulgária, na 13.ª, em Malta, em 2017, na 14.º, na Letónia, e na 15.º, na Grécia.

O Grupo de Arraiolos junta os chefes de Estado de Itália, Bulgária, Alemanha, Estónia, Irlanda, Grécia, Croácia, Letónia, Hungria, Malta, Áustria, Polónia, Portugal, Eslovénia e Finlândia.

A reunião do próximo ano, na 17.ª edição, realizar-se-á em Malta, enquanto a de 2023 decorrerá em Portugal e a de 2024 na Polónia.

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