Em entrevista à TVI, a propósito do terceiro aniversário da sua posse como Presidente da República, que se assinalou no sábado, Marcelo Rebelo de Sousa manteve indefinida uma resposta acerca da sua eventual recandidatura à Presidência da República e anteviu que, no que resta de mandato, há um primeiro período até às eleições legislativas de outubro, que “será naturalmente de protagonismo dos partidos”.

“O Presidente estará, mas estará em viagens ao estrangeiro, e aparecerá de uma forma crescentemente mais discreta”, disse.

Depois, segue-se o período de formação do Governo e “o período importante de transição” em que decidirá se é candidato a um segundo mandato, “em meados do ano que vem”.

“Das duas, uma: ou sou candidato e, se for candidato, não vou usar a presidência para a campanha eleitoral - terei o recato de fazer aquilo que tenho de fazer na política externa - ou não sou candidato e saberei sair de uma forma discreta para deixar o palco aos candidatos”, garantiu.

Perante uma pergunta que o implicava na fórmula de Governo atual, em que o PS governa com apoio parlamentar de BE, PCP e PEV, Marcelo ressalvou: “Eu não sou defensor da fórmula, quem formou o Governo foi o Presidente Cavaco Silva, não fui eu”.

“Eu limitei-me apenas a querer a estabilidade política do país e, com a situação em que estava o sistema bancário, com a situação em que se encontrava o panorama financeiro e económico europeu, a querer que fosse até ao fim, e estamos à beira de chegar ao fim”, declarou.

Na entrevista que abriu o Jornal Nacional da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que, caso os incêndios de 2017 se tivessem repetido, teria dissolvido a Assembleia da República.

“Eu não escondo que foi a única circunstância que me levou a dizer aquilo que eu disse e que, traduzido em miúdos, é que se, no ano seguinte, houvesse uma situação idêntica haveria dissolução do parlamento”, disse o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que perante os incêndios de 2017, na sequência dos quais morreram mais de 100 pessoas, a população considerou que o poder político estava desligado da realidade.

“Entendi que a maioria esmagadora dos portugueses olhava para o poder político dizendo ‘eles descolaram da realidade, eles não estão a perceber que não podem morrer impunemente mais de 100 pessoas e não haver uma mudança de vida’”, sustentou.

De acordo com Marcelo, perante os incêndios de junho e outubro de 2017, “as leituras” do Presidente e as do Governo “não foram coincidentes no tempo sobre a realidade”.

A abrir a entrevista, o Presidente é confrontado com a queda de popularidade, que desvalorizou.

“A última sondagem dá 81% de popularidade, portanto, acima de 70%, que era a média, a mais fraca das sondagens dava 67,5%. Se isso é queda não é propriamente uma coisa que cause uma depressão”, afirmou.

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