“Um dia qualquer é bom senhor Presidente”, disse Jorge Novo, um dos lesados do BES/Novo Banco em resposta a Marcelo Rebelo de Sousa quando este lhe perguntava em que dia o grupo queria ir a Lisboa “conversar um pouco”.

O Presidente das República foi hoje recebido no Porto, onde participa na conferência “O Sistema de Saúde para o Cidadão”, por um grupo de lesados do BES/Novo Banco, ao qual se dirigiu antes de entrar no evento.

“Então vão ligar-lhes para combinar um dia que vos dê jeito para irem e virem”, prometeu Marcelo Rebelo de Sousa perante o grupo que se apresentou com tambores, buzinas, campainhas, faixas com as palavras “Vergonha”, “Roubo” e “Vigarice”, caixas pretas a simular urnas e bandeiras pretas num protesto ruidoso.

Já, quando caminhava em direção à Reitoria da Universidade do Porto onde decorre a conferência e antes de se aproximar de um grupo de enfermeiros que também o esperava para expor as suas reivindicações, Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que compreende a situação do grupo de lesados.

“Compreende-se. Eles estão a lutar por uma causa que é sua e ficaram poucos que não aderiram ao acordo e se sentem isolados. Não quero dizer desesperados, mas sentem-se [assim]. Vamos ver [o que será possível fazer] porque 98 ou 99% aceitaram o acordo. Mas há 1 ou 2% que não aceitaram. Temos de perceber se ainda é possível tentar um acordo nesta fase”, disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República participa hoje, na Reitoria da Universidade do Porto, na conferência "O Sistema de Saúde para o Cidadão", na qual também participa a ministra da Saúde, Marta Temido.

Em declarações à agência Lusa, Jorge Novo, um dos lesados do BES/Novo Banco, apontou que os protestos "nunca vão parar" porque em causa, disse, "estão as poupanças de uma vida inteira".

"São quantias superiores a milhares, é muito dinheiro para quem emigrou à procura de uma vida melhor na esperança de regressar ao seu país depois de poupar uma vida inteira. Os protestos nos balcões acabaram. Agora vamos para a frente da casa de personalidades. Mas nunca vamos parar até receber o que é nosso", disse Jorge Novo.

O grupo de lesados do BES/Novo Banco aguardava Marcelo Rebelo de Sousa com música, bombos, campainhas, buzinas, bandeiras pretas e faixas onde se leem palavras como "Vergonha" ou "Vigarice" e "Roubo". Pelo chão estão pequenas caixas com cruzes a simular urnas fúnebres.

Depois dos lesados, os cravos brancos dos enfermeiros

Na mesma ocasião, um grupo de enfermeiros entregou cravos brancos ao Presidente da República e à ministra da saúde para os sensibilizar para as questões de uma carreira de enfermagem que alegam ser o “pilar” do Serviço Nacional de Saúde.

créditos: FERNANDO VELUDO / LUSA

“Estamos cá hoje para conseguir sensibilizar o Presidente da República e a ministra da Saúde para as questões que afligem os enfermeiros enquanto profissão e enquanto pilar do Serviço Nacional de Saúde, no momento em que se discute a lei de Bases da Saúde e se aprecia, em audição pública, o diploma de carreira dos enfermeiros bem como os acordos coletivos de trabalho com a ministra da Saúde”, explicou à agência Lusa Álvara Silva, enfermeira há 15 anos e a ganhar 1.201 euros com a “carreira congelada”.

À entrada para a Conferência "O Sistema de Saúde para o Cidadão”, a ministra da Saúde, Marta Temido, dirigiu-se ao grupo de enfermeiros e recebeu os cravos, mostrando-se solidária com a luta daquela classe trabalhadora.

“Gosto em ver-vos, embora com pena por ainda não termos conseguido fazer com que vocês consigam descansar”, disse a ministra da Saúde, reiterando que o Governo está “ainda a trabalhar” e que “estão a tentar fazer o melhor possível”.

Cinco minutos depois, chegou o Presidente da República que também recebeu os cravos brancos pela mão dos enfermeiros e prometeu falar com a ministra da Saúde depois de os ouvir reivindicar a magistratura de influência de Marcelo Rebelo de Sousa para que os ajudasse a proteger os diretos basilares dos enfermeiros.

“Eu conheço bem os vossos problemas […]. Vou falar à senhora ministra e ao senhor primeiro-ministro”.

Esta manhã, um grupo de lesados do BES/Novo Banco aguardou com tambores, campainhas e bandeiras negras a chegada do Presidente da República para pedir que ele intercedesse no sentido de recuperarem "as poupanças de uma vida".

O Presidente da República participa hoje, na Reitoria da Universidade do Porto, na conferência "O Sistema de Saúde para o Cidadão", na qual também participa a ministra da Saúde, Marta Temido.

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