“Mudou muita coisa, felizmente mudou muito no plano legal, no que tem a ver com a comunidade LGBT, mas não quer dizer que esteja tudo resolvido, há ainda muita coisa para mudar e há principalmente a necessidade de uma enorme vigilância, tendo em conta os focos de nacionalismo absurdo que vão aparecendo”, afirmou, em declarações à agência Lusa, João Paulo, um dos criadores da Marcha LGBT do Porto.

O ativista sublinhou que “se hoje um individuo LGBT for agredido tem uma lei que o protege, tem a obrigação policial para o ouvir e encaminhar no sentido certo, coisa que quando eu tinha 16 anos não acontecia”.

Congratulou-se com o facto de “existirem cada vez mais polícias formados e atentos a este tipo de violência e a outros tipos de violência, como a doméstica, por exemplo”, mas alertou para o facto de “muita coisa poder voltar atrás. Tudo pode mudar de um dia para o outro”.

João Paulo, que hoje marcou presença na iniciativa, mas já fora da organização, recordou ainda que “a marcha começou muito catalisada pelo que aconteceu a Gisberta Salce Júnior”, a transexual que foi assassinada em 2006 por um grupo de jovens, no Porto.

Em declarações à Lusa, Patrícia Martins, da organização, recordou que “a marcha começou com 300 pessoas, há 15 anos, e em 2019 teve a participação de sete mil”, transformando-se, assim, “na manifestação com maior númeno de pessoas no espaço público no Porto”.

“Este ano queremos assinalar os 15 anos de marcha, porque para nós o aumento da participação significa as lutas, as vitórias e as conquistas alcançadas”, frisou.

Neste contexto de pandemia “foi necessário adaptar todas as comemorações que estavam previstas” mas “não quisemos deixar de ocupar o espaço público e decidimos, a par das iniciativas que decorrem 'online', convocar as pessoas que fazem parte da organização dos diversos coletivos e associações para fazermos este percurso simbólico” entre a Praça da República e a Avenida dos Aliados, acrescentou.

O desfile foi também transmitido em direto nas redes sociais, para que, de alguma forma, todos pudessem participar. Neste percurso foram colocadas diversas referências à história da Marcha do Orgulho como cartazes, faixas, fotografias e outros elementos artísticos.

O programa 'online' público contou com a participação dos vários coletivos e associações e de algumas personalidades da cultura e da música (concertos, performances e curtas metragens), nomeadamente de Pedro Abrunhosa, que interpretou a música de homenagem a Gisberta Salce Júnior.

Através das diversas intervenções 'online', foi promovida uma angariação de fundos para a Casa Arco Íris da Associação Plano I e a associação SOS Racismo.

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