"É um dia triste para todos os portugueses", referiu Passos Coelho, à margem de uma visita à Santa Casa da Misericórdia de Barcelos.

Para Passos Coelho, "será impossível" escrever a História de Portugal das últimas dezenas de anos "sem nelas encontrar referências múltiplas à intervenção política de Soares, "em muitas ocasiões decisiva".

"Como um grande democrata que foi, o doutor Mário Soares foi também um político polémico, que combateu pelas suas ideias, há de ter feito muitos amigos, terá tido também com certeza muitos adversários ao longo de todos estes anos", acrescentou.

Passos Coelho endereçou uma mensagem de "sentido pesar" à família e uma mensagem "de condolências" ao PS, partido de que Mário Soares foi fundador.

Para o líder social-democrata, "é quase impossível não associar" a instauração do regime democrático à intervenção de Mário Soares.

Uma intervenção que, como sublinhou, não foi a única, já que "houve muitas pessoas", quer no PS quer noutros partidos, que contribuíram para que democracia se implantasse.

"Mas será mesquinhez não sublinhar o papel muito relevante que [Mário Soares] teve nesse processo", acrescentou.

Da convivência política com Soares, ao longo de mais de 35 anos, Coelho admitiu que houve momentos de maior discordância, mas sempre imperou o "respeito e a cordialidade".

"No tempo em que estive no Governo, houve momentos em que [Soares] se pronunciou de forma mais veemente contra as opções do meu Governo", recordou.

Face ao falecimento do antigo Presidente da República, Pedro Passos Coelho cancelou o resto da agenda de hoje, que incluía um jantar com militantes em Vila Verde.

As ações partidárias previstas para os próximos dias também serão reagendadas.

Em relação a um não cancelamento da visita do primeiro-ministro à Índia, Passos Coelho disse apenas que se trata de uma viagem "importante para o país", que envolve relações Estado a Estado e que foi programada "ao mais alto nível".

Mário Soares, que morreu hoje aos 92 anos, desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.

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