“Devido a concretização do Plano nacional de mobilização contra o coronavírus e a plena utilização das capacidades médicas das Forças Armadas, não é necessário de momento que sejam disponibilizadas camas de hospitais por forças estrangeiras, e a sua presença está excluída”, declarou Alireza Vahabzadeh, conselheiro do ministro da Saúde.

Vahabzadeh emitiu estas declarações na rede social Twitter após a multiplicação dos ataques por parte dos ultraconservadores, nos ‘media’ e nas redes sociais, acusando o pessoal dos MSF de serem “espiões” e apelando que “não os deixem entrar”.

A organização não-governamental (ONG) francesa anunciou no domingo o envio de um “hospital insuflável de 50 camas” e de “uma equipa de urgência de novo pessoas para Isfahan” (centro), a terceira cidade do Irão, com o objetivo de “aliviar a pressão sobre o sistema de saúde local”.

Em comunicado, a ONG francesa manifestou a “sua incompreensão na sequência das declarações do Ministério da Saúde (…) anunciando a anulação da [sua] intervenção (…) para gerir os casos graves de covid-19 em Isfahan”.

Os MSF acrescentam que o anúncio do ministério surge após a aterragem “no domingo e na noite de segunda feira em Teerão de dois aviões de carga com todo o material necessário”, e a chegada da sua equipa de nove pessoas a Isfahan, onde foram “acolhidas positivamente pelas autoridades sanitárias locais”.

Apesar de decisão oficial, Vahabzadeh agradeceu aos MSF a sua oferta.

O Irão é um dos países mais atingidos pela pandemia do novo coronavírus, com cerca 2.000 mortos, para além da Itália, China e Espanha.

A União Europeia, que disse pretender enviar 20 milhões de euros de ajuda ao Irão para apoiar os esforços do país contra a epidemia da covid-19, apelou na segunda-feira ao envio de ajuda humanitária.

Desde há várias semanas que Teerão afirma que as sanções dos Estados Unidos entravam a resposta à epidemia e apela aos países do mundo para pressionarem Washington a terminar com o que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, designou de “terrorismo médico”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram cerca de 18.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente europeu é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos, e a Itália é o país do mundo com mais vítimas mortais, com 6.820 mortos em 69.176 casos.

A China, sem contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu no final de dezembro, conta com mais de 81.000 casos, tendo sido registados 3.277 mortes.

Nas últimas 24 horas a China reportou 78 novos casos, sendo quatro de contágio local e os restantes importados.

As 74 infeções importadas do exterior levantam receios de nova onda de contágio. Depois de cinco dias sem novas infeções locais, foi reportado um novo caso local, em Wuhan.

Os países mais afetados a seguir à Itália e à China são a Espanha, com 2.696 mortos em 39.673 infeções, o Irão, com 1.934 mortes num total de 24.811 casos, a França, com 1.100 mortes (22.300 casos), e os Estados Unidos, com cerca de 600 mortes (mais de 50.000 casos).

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

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