De acordo com a publicação, Merkel anunciou que está pronta a assumir o desafio da liderança pelo seu partido, que está reunido hoje em Berlim, e da Alemanha.

A chanceler, de 62 anos, informou aos dirigentes do partido a intenção de ser reeleita como presidente da CDU no congresso de dezembro, além de apresentar uma nova candidatura para aquele que seria o quarto mandato como chanceler da Alemanha.

Merkel governa a Alemanha desde 2005. A sua decisão de receber um milhão de refugiados provocou uma queda nas sondagens de popularidade e várias derrotas eleitorais do seu partido este ano. Nas últimas semanas, no entanto, o seu índice de popularidade melhorou.

A interrupção do fluxo de entrada de refugiados no país e, sobretudo, o temor provocado na Alemanha e em todo o mundo pela vitória de Donald Trump nas eleições americanas permitiram a sua recuperação.

Os defensores de Merkel consideram-na uma garantia de estabilidade e o último baluarte dos valores democráticos do Ocidente, ante o avanço do populismo.

Após 11 anos à frente do país, Merkel já ostenta o recorde de longevidade entre os atuais governantes ocidentais.

Recorde de Kohl à vista

A julgar pelas sondagens, Merkel tem hipóteses de conquistar o quarto mandato como chanceler, escreve a AFP. Desta forma, a líder alemã entraria para a história do país ao superar o tempo no poder do icónico chanceler do pós-guerra Konrad Adenauer (14 anos) e também o do seu próprio mentor político, Helmut Kohl (16 anos).

De acordo com uma sondagem publicada pelo jornal Bild, 55% dos alemães desejam que Merkel permaneça no cargo.

No entanto, esta encontra-se numa situação paradoxal: elogiada no exterior, onde as expectativas a seu respeito aumentaram após a vitória de Donald Trump, na Alemanha enfrenta um ano eleitoral difícil, depois de fragilizada pela polémica decisão de receber um milhão de refugiados no país.

Esta semana, o presidente americano Barack Obama elogiou Merkel em Berlim durante a sua última viagem oficial como chefe de Estado. E, diante do avanço das tendências autoritárias no mundo, o jornal The New York Times chamou-a de "último baluarte dos valores humanistas no Ocidente".

Já na Alemanha, alerta o liberal Die Zeit, Merkel "não pode contar com a Europa para avançar, não tem um partido unido atrás dela e não possui o apoio popular que tinha há um ano e meio".

Merkel conseguiu recuperar parte da popularidade perdida com a crise migratória, mas o seu grupo político soma entre 32 a 33% das intenções de voto nas sondagens, quase 10% menos do que nas eleições de 2013.

O atraso no anúncio da candidatura está relacionado com esta perda de influência. Após a polémica sobre a receção dos refugiados, a chanceler teve ainda de lidar com a rebelião da CSU, partido aliado bávaro, que ameaçou não apoiar Merkel em 2017, antes de mudar de opinião perante a falta de alternativas.

A chanceler sofreu outro revés este mês ao não conseguir designar um membro do seu partido como candidato para ser presidente em 2017, um posto para o qual foi escolhido o social-democrata Frank-Walter Steinmeier.

Por fim, o seu terceiro mandato coincidiu com o avanço de um partido populista na Alemanha. O AfD tem grandes chances de entrar para o Bundestag (Parlamento), o que nenhum grupo deste género consegue desde 1945.

Merkel mantém, no entanto, a vantagem sobre os demais, já que não possui rivais fortes no seu partido e continua a ser muito mais popular que os seus adversários sociais democratas.

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