“As mesquitas poderão abrir já este sábado [30 de maio], mas tudo indica que estarão abertas a partir do dia 31, dia 01 [de junho]”, disse o sheik Munir, ressalvando que se trata da reabertura de “mesquitas e de lugares de culto”.

De acordo com o imã da Mesquita Central de Lisboa, existem entre 50 e 55 mesquitas e lugares de culto muçulmano em Portugal.

“Os responsáveis das mesquitas irão ver qual é a melhor forma de gerir a presença dos crentes, porque o tamanho difere, e, como há esse pormenor, terão de ver em termos de capacidade, respeitando as normas da DGS [Direção-Geral da Saúde]”, salientou.

As mesquitas encontram-se encerradas desde 19 de março, quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decretou estado de emergência, por causa da pandemia de covid-19.

Com a reabertura no horizonte, a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) divulgou um guia de recomendações a tomar no regresso das orações nas mesquitas.

“A ablução [rito de purificação e higienização] ser feita em casa, o espaço sanitário ser fechado, as portas das mesquitas serão abertas um pouco antes de cada oração e fechadas depois das orações”, enumerou David Munir, sublinhando que as pessoas devem “permanecer o mínimo de tempo nas mesquitas”.

De acordo com o xeque Munir, os fiéis tem de levar também a sua máscara, mas as mesquitas poderão facultar material de segurança àquelas pessoas que não têm.

Em relação à possível interferência de pessoas infetadas com covid-19 na Mesquita Central de Lisboa com o regresso das orações, David Munir afirmou à Lusa que “uma coisa não tem nada a ver com a outra”.

“São espaços completamente diferentes, não interfere”, reiterou.

Atualmente, a Mesquita de Lisboa conta com um grupo de requerentes de asilo em Portugal infetado com covid-19.

O grupo de cerca de 14 pessoas faz parte dos 169 infetados com covid-19 que foram retirados de um hostel em Lisboa, em abril, e transportados para a Base Aérea de Ota, no concelho de Alenquer, para fazerem a quarentena, tendo permanecido naquele local durante um mês.

Por seu turno, e apontando para a reabertura do espaço em 01 de junho, o xeque Munir pede “compreensão das pessoas que começarem a frequentar a mesquita [de Lisboa]”, porque “não vai ser fácil”.

“Nas orações diárias não vêm mais do que 20 pessoas […] Nós temos o espaço suficiente para essas 20 pessoas, na Mesquita central de Lisboa, dentro da sala de culto, respeitando todas as normas da DGS. O normal é ter em cada fila aproximadamente 90 pessoas, mas, com essas normas, em cada fila só posso ter 15”, realçou o líder religioso.

Para hoje, às 19:00, estava marcada uma reunião – que foi cancelada - nas instalações da Mesquita Central de Lisboa, onde seriam discutidas as medidas a adotar para a reabertura, segundo as orientações recebidas pela Direção-Geral da Saúde.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil, indicou que a reunião foi cancelada pelo “número de confirmações recebidas ser muito pequeno”.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 350 mil mortos e infetou mais de 5,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Cerca de 2,2 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.342 pessoas das 31.007 confirmadas como infetadas, e há 18.096 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

O país entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor no dia 18 de maio, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura da época balnear para 06 de junho.

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