A manifestação realizada em Teerão foi seguida de outras demonstrações de apoio às autoridades em várias regiões do país, onde se podia ver bandeiras iranianas, e que foram classificadas como “espontâneas” pelo Governo.

Os manifestantes pró-governo gritaram contra os Estados Unidos e contra Israel, segundo relatou a comunicação social estatal, refletindo a posição oficial de que são os países estrangeiros que estão a fomentar os distúrbios dos últimos dias.

Milhares de manifestantes antigovernamentais e forças de segurança entraram em confronto em várias grandes cidades iranianas, na sequência de manifestações consideradas já como os distúrbios políticos mais graves no país desde 2019.

Os protestos começaram no sábado, após o funeral de uma jovem de 22 anos, Mahsa Amini, que tinha sido detida pela “polícia de costumes” iraniana por ter o véu islâmico (o ‘hijab’) mal colocado.

A contestação evoluiu depois para o aumento do preço da gasolina, que é controlado pelo Estado.

A televisão estatal referiu hoje que o número de mortos nos distúrbios desta semana pode chegar a 26, mas diversos grupos de direitos humanos dizem que foram mortas centenas de pessoas nas manifestações.

O Irão suspendeu o acesso à internet e apertou as restrições nas redes sociais mais usadas para organizar manifestações, como o Instagram e o WhatsApp.

A Universidade de Teerão anunciou que, a partir da próxima semana, irá passar a dar as aulas ‘online’ para evitar mais agitação, adiantou a agência de notícias semioficial Fars.

A Amnistia Internacional já acusou as forças de segurança de espancar manifestantes com cassetetes e disparar balas de metal à queima-roupa.

Vídeos mostram polícias e paramilitares a usar balas reais, gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.

O Irão enfrentou várias ondas de protestos no passado recente, principalmente devido à longa crise económica exacerbada pelas sanções norte-americanas ligadas ao seu programa nuclear.

Em novembro de 2019, o país registou as manifestações mais mortais desde a Revolução Islâmica de 1979, quando eclodiram protestos contra os aumentos do preço do gás.

As dificuldades económicas continuam a ser uma grande fonte de contestação, já que os preços dos bens de primeira necessidade dispararam e a moeda iraniana diminuiu de valor.

O governo Biden e aliados europeus têm trabalhado para recuperar o acordo nuclear iraniano de 2015, que levou o Irão a restringir as suas atividades nucleares em troca do alívio das sanções, abandonado unilateralmente pelo ex-Presidente dos EUA Donald Trump.

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