“Confesso que não é uma boa notícia, e a minha fonte [de informação] são os sindicatos, que ainda não tenha havido uma reunião formal entre o Conselho de Administração [da Galp] e as estruturas sindicais”, afirmou Matos Fernandes, no final de uma reunião com os representantes dos trabalhadores, no Porto.

A Galp vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano.

Esta decisão, anunciada a 21 de dezembro de 2020, põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.

A 30 de dezembro, e numa reunião pública do executivo municipal de Matosinhos, o responsável pela refinaria, José Silva, garantiu que a decisão de encerrar “está tomada e fechada”.

Sobre os postos de trabalho em causa, Matos Fernandes referiu ser uma “evidência” que com o fecho da refinaria esses vão ser “perdidos”, mas garantiu um “fortíssimo empenho do Governo” em criar novos negócios, nomeadamente ligados às energias renováveis, para absorver essa mesma mão-de-obra.

Contudo, salientou, esses trabalhadores têm de ser “requalificados e formados”, algo assegurado e previsto pelo fundo para a transição justa.

Em Portugal, já foram criados nove mil empregos líquidos relacionados com este setor, acrescentou.

O ministro admitiu que este “tipo de fenómenos”, referindo-se ao fecho deste tipo de instalações, vai acontecendo em Portugal e na Europa no âmbito do caminho traçado para a descarbonização.

“Há um caminho para a descarbonização e Portugal tem como compromisso ter cada vez menos emissões carbónicas”, vincou.

Matos Fernandes frisou que ser neutro em carbono “é bom para a economia” porque cria emprego e estimula o investimento, sobretudo em energias renováveis.

E, a título de exemplo, o titular da pasta do Ambiente reforçou que os projetos ligados às energias renováveis “não fazem perder empregos”, antes pelo contrário.

Os trabalhadores da refinaria têm prevista uma concentração para dia 12 de janeiro, com saída do complexo industrial até à Câmara de Matosinhos, para protestar contra a decisão de encerramento.

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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