"Não é possível construir uma central fotovoltaica num espaço onde existem animais de grande porte, mas não há qualquer relação entre isso e a chacina que aconteceu na semana passada", disse João Pedro Matos Fernandes, que falava aos jornalistas à margem de uma visita às obras do plano de intervenção "Mondego Mais Seguro", em Montemor-o-Velho.

O ministro do Ambiente e da Ação Climática salientou que a empresa que ganhou o concurso para a construção da central "já veio condenar essa chacina".

"Existe alguma relação entre a instalação da central e a chacina perpetrada por 16 caçadores? Eu não encontro nenhuma. Está a decorrer a consulta pública do estudo de impacto ambiental [da construção da central], que propõe que dali sejam retirados os animais, dando exemplo de um sítio para onde podem ser retirados", acrescentou, salientando que o estudo é apresentado pelo próprio promotor da obra.

Questionado pelos jornalistas, João Pedro Matos Fernandes referiu que não tem "nenhuma razão para achar que houve conluio" entre empresa e caçadores.

"Quem irá construir a central fotovoltaica não tem nenhum direito. Enquanto não houver uma declaração de estudo de impacto ambiental ela não tem esse direito [de usar o terreno]. Quem fez o que fez ninguém tem dúvidas: é uma articulação entre donos do terreno que não vão fazer a central fotovoltaica, quem organizou [a caçada] e os 16 caçadores que lá estiveram", frisou o ministro.

Na terça-feira, a Federação Portuguesa de Caça (Fencaça) repudiou o abate de 540 animais na Herdade Torre Bela, no concelho da Azambuja, adiantando que a caçada terá ocorrido para poder ser construída uma central fotovoltaica no local.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já fez saber que vai suspender a licença da Zona de Caça de Torre Bela, com efeitos imediatos, e que apresentou ao Ministério Público uma participação de crime contra a preservação da fauna.

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