Pedro Marques foi questionado depois de o presidente executivo da companhia aérea de baixo custo Ryanair, Michael O’Leary, ter afirmado hoje de manhã que o aeroporto do Montijo não deve ser gerido pela ANA-Aeroportos de Portugal, para a “concorrência funcionar” e antecipar a abertura da infraestrutura complementar a Lisboa.

Sobre o contrato em vigor para a ANA gerir todos os aeroportos nacionais, incluindo o Montijo, O’Leary respondeu que cabe ao Governo decidir sobre o assunto, mas já depois disso Pedro Marques esclareceu o assunto.

“Nos termos da privatização realizada pelo Governo anterior, a ANA tem direito agora a apresentar ao Governo uma proposta para a capacidade aeroportuária da região de Lisboa e para incluir no seu contrato concessão um aeroporto complementar do Montijo”, apontou Pedro Marques, à margem de um almoço debate, organizado pelas Câmaras de Comércio e indústria Luso-Francesa, Alemã, Belga-Luxemburguesa, Brasileira e Britânica, a que se associou a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários.

O ministro afirmou que o que importa “é que o aeroporto seja competitivo”, dê competitividade e sustentabilidade ao transporte aéreo em Portugal, e lançou um desafio à Rayanair.

“Eu próprio estive hoje reunido com o presidente da Ryanair a desafiá-lo para investir mais no país e é para isso que estamos a trabalhar também com a concessionária dos aeroportos no contexto da privatização que foi feita”, contou.

Pedro Marques lembrou que o contrato de concessão da ANA “tem regras e leis”.

“Foi feita uma privatização nos termos em que foi e em que o Governo anterior recebeu as receitas da privatização e não as investiu na construção de um novo aeroporto na altura. Mas neste momento a empresa está privatizada, os aeroportos têm vindo a crescer, queremos que continuem a crescer e vamos continuar a trabalhar com a concessionária”.

Já sobre a TAP e a Oferta Pública de Venda (OPV) de 5% do capital social do grupo aos trabalhadores, Pedro Marques não quis comentar os resultados do rateio e da liquidação das ações adquiridas no âmbito da oferta.

“Há rateio e rateio forte, porque houve uma grande procura das ações, o que significa que os trabalhadores acreditam na empresa e no modelo que reconstruímos ao tornar o Estado novamente no maior acionista”, disse.

A procura de ações da TAP pelos trabalhadores superou 17,5 vezes a oferta, com o número de ordens a atingir os 603, o que desde logo implica a existência de rateio das ações.

Em causa está a alienação de 75.000 ações, num montante total de 778.500 euros, e já era esperada uma grande adesão dos trabalhadores da TAP à OPV depois de os 12 sindicatos representativos apelarem à participação dos seus associados.

O preço das ações estava fixado em 10,38 euros, o equivalente a um desconto de 5% em relação ao valor oferecido (10,93 euros) pelo consórcio Atlantic Gateway no processo de privatização.

Ainda sobre o ‘cluster aeronáutico’ em Portugal, o ministro do Planeamento afirmou que hoje mesmo seguia para Évora para lançar um desafio à Embraer.

“O desafio que vou lançar hoje à Embraer é que ela possa aproximar-se ainda mais dos fornecedores e das Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas e que essas empresas façam cada vez mais parte do seu ecossistema dos fornecedores. Vou falar do clube de fornecedores e da possibilidade da Embraer contratar mais empresas portuguesas”, avançou o ministro.

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