"Uma composição irreal ou desordenada, por amor aos homens, aos monstros, pássaros e peixes, às flores, sem razão aparente". Foi assim que o escritor Henry Peacham descreveu o estilo das pinturas que eram usadas para decorar o interior das casas dos Tudors, uma dinastia real que governou a Inglaterra e o País de Gales de 1485 a 1603.

Agora, a descrição pode ser comprovada ao vivo. Segundo o The Guardian, pinturas que remetem ao século XVI foram encontradas nas paredes de um antigo chalé de caça, na floresta de Inglewood, em Cumbria. A Historic England afirma que estes exemplares são notáveis e requerem uma proteção de património reforçada.

Andrea Kirkham, especialista em conservação, integrou os trabalhos feitos no chalé a convite dos donos, Jen e Richard Arkell.

"Tem sido fantástico porque estamos a descobrir uma pintura que não é vista há séculos. É uma prova palpável das pessoas que moraram nesta casa no século XVI", disse a especialista.

As pinturas mostram monstros grotescos e "folhagem absolutamente fantástica", diz Andrea Kirkham. "Não são simétricos e são muito feitos à mão livre. São encantadores."

Os donos compraram a propriedade há mais de 20 anos quando apenas uma pequena parte da pintura de parede estava visível. "Nunca vamos esquecer o momento em que estávamos a retirar gesso antigo das paredes e descobrimos estas caras a olhar para nós".

A especialista afirma que as pinturas de parede dos Tudors são raras, mas podem ser encontradas em edifícios antigos espalhados por Inglaterra. No entanto, é muito menos comum no norte do país: "É muito raro existirem em Cumbria".

"É história social... Isto diz-nos muito sobre o gosto das pessoas e as suas ideologias. A maneira como usam a cor, os materiais e os desenhos que escolhem diz-nos sobre os seus interesses e como gostavam de ser vistos pelos outros".