“Não há um único líder do PSD - não acho que isto seja bom de se dizer – que não tenha andado a desgastar e a fazer sofrer o líder ou líderes anteriores para ele próprio ser líder do PSD”, afirmou Nuno Morais Sarmento, na sua ‘aula’ na Universidade de Verão do partido com o tema “Social-Democracia, hoje, em Portugal”.

Para o vice-presidente do PSD, este processo começou com Sá Carneiro contra Emídio Guerreiro e prosseguiu até hoje: “Não há nenhum – do Marcelo ao Barroso, ao Cavaco (…) todos os líderes, Passos Coelho, Rui Rio”, afirmou, embora o nome do atual presidente do PSD já tenha sido dito de forma mais sumida.

Na sua intervenção, foram várias as referências de Sarmento ao ex-líder do PSD Pedro Santana Lopes, que no início de agosto confirmou a saída do partido em que militava há mais de 40 anos e anunciou a formação de um novo, a Aliança.

“Eu acho que esta volta que está a acontecer é boa, internaliza um dos partidos de protesto – o BE, que passou a partido de sistema – (…) Santana Lopes vem um bocadinho como um homem providencial. Se há espaço do lado direito, há com certeza, os portugueses mais conservadores não se sentem representados nem no PSD nem no CDS”, defendeu.

Salientando que, até agora, o voto de protesto não tinha representação à direita, Morais Sarmento considerou que em matérias como “nacionalismo, Europa, estilo de vida”, Santana Lopes “sempre teve uma posição coerentemente à direita, ou na margem direita do PSD”.

Na fase de perguntas, Sarmento foi desafiado a responder se Passos Coelho foi um líder do PSD mais à direita e Rui Rio mais à esquerda, afirmação da qual discordou.

“Tanto Pedro Passos Coelho como Rui Rio foram mais sociais-democratas do que eu, porque estiveram sempre do lado esquerdo do PSD”, defendeu, considerando que o anterior líder foi influenciado “por um raciocínio académico” que lhe valeu, injustamente, rótulos de “perigoso liberal”.

Já quanto a Rui Rio, o vice-presidente do PSD considerou-o “absolutamente atípico” em termos de classificação, mais à esquerda em algumas matérias – como a eutanásia – mas “conservador na prática política”.

Na sua ‘aula’, Sarmento fez questão de salientar que “a linha que separa o PSD do PS é hoje tão clara como era em 1974”, e apelou ao partido para que não vá “atrás de cantos de sereia” de quem quer saber se o partido é mais ou menos liberal.

“A diferença continua a ser absolutamente clarinha”, defendeu, apontando a igualdade de oportunidades à partida, a mobilidade social e a realização do projeto individual de cada ser humano como as marcas da diferença entre os sociais-democratas e os socialistas.

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