Cerca de 20 mil mulheres assinaram uma petição online a pedir ao Governo que proíba as empresas de exigirem que as trabalhadoras usem saltos altos no trabalho, noticia a agência Reuters.

A petição procura acabar com esta forma de "discriminação de género" e “tornar a vida mais fácil para todos, criando um ambiente laboral onde não existam esforços desnecessários”.

A campanha #KuToo é um jogo de palavras com os termos “kutsu” (“sapatos”, em japonês) e “kutsuu” (“dor”, na mesma língua).

Yumi Ishikawa, atriz e escritora freelancer de 32 anos, é a autora da petição, que foi enviada ao ministério da Saúde na passada segunda-feira, dia 3 de junho.

Na quarta-feira, dia 5, o ministro da Saúde japonês, Takumi Nemoto, respondeu que a expectativa de que as mulheres usem saltos altos no trabalho "está dentro daquilo que é commumente aceite como necessário e apropriado".

Contudo, Nemoto acrescentou que pode ser considerado "abuso de poder" se os empregadores exigirem às trabalhadoras que tenham lesões que usem saltos altos.

A resposta do ministro da Saúde trouxe ainda mais atenção sobre o assunto, considera a autora da petição, que gostava de ver o tema ser mais discutido.

Ishikawa espera que a campanha traga mudanças nos locais de trabalho e uma maior atenção sobre as questões da discriminação de género.

A campanha foi lançada depois de a autora ter sido forçada a usar sapatos de saltos altos num trabalho part-time numa funerária, e acabou por gerar uma resposta em grande escala por parte de outras mulheres.

“Depois do trabalho, as mulheres trocam para ténis ou sapatos rasos”, escreveu Ishikawa na petição, acrescentando que os saltos altos causam joanetes, bolhas e dores de costas.

“É difícil a deslocação, não conseguimos correr e os pés ficam a doer. Tudo por uma questão de boas maneiras”, refere, sublinhando que os homens não estão sujeitos a estas pressões.

Até há relativamente pouco tempo era esperado que os homens de negócios no Japão usassem gravata, mas essas regras mudaram quando o Governo iniciou uma campanha, em 2005, a encorajar as empresas a reduzirem a utilização do ar condicionado.

"Seria ótimo se o país tivesse uma campanha semelhante em relação aos saltos altos", disse Ishikawa.

Embora muitas empresas japonesas não digam explicitamente que exigem que as mulheres usem saltos altos, a expectativa social e a tradição leva a que muitas trabalhadoras o façam.

*Com agência Reuters

(Notícia atualizada às 12h59 - Acrescente reação do ministro da Saúde japonês)

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