A primeira conferência devia ter início às 10h15. Contudo, quem entrasse no Coliseu dos Recreios de Lisboa às 10 da manhã, percebia, de imediato, que a cimeira ia começar com atraso. Havia filas extensas para as mais variadíssimas coisas, como ir ao bar ou levantar o material de tradução automática. Assim que as 2000 pessoas se sentaram, finalmente, nos devidos lugares, a sala de espetáculos escureceu, recebendo os espectadores com luzes amareladas que se movem a fim de simular que a própria sala está em movimento. Nada parece ser por acaso, não fosse o objetivo do evento criar “uma viagem sensacional em torno do globo”, como se pode ler no site.

No ecrã colocado no palco, a National Geographic deu as boas vindas aos visitantes, cumprimentando-os com uma panóplia de perguntas - que surgiam num formato de vídeo e todas elas traçadas em redor dos temas que iriam marcar o dia.

“Porque está a espécie mais inteligente a destruir o planeta? Percorremos um longo caminho, às vezes esquecemo-nos dele. O nosso planeta é frágil. Tudo começa contigo, nas tuas escolhas como pessoa e como consumidor. Juntos podemos fazer a diferença. Que impacto quer ter no nosso planeta e na nossa sobrevivência enquanto espécie?”.

Hyeonseo Lee: uma mulher, três vidas, sete nomes

“Muitas pessoas sabem da questão em redor da Coreia do Norte sobre as armas nucleares, mas esquecem-se de quem está na linha da frente para mudar o país. Não posso ficar em silêncio quando o regime cria abusos aos direitos humanos. Eu vou continuar a falar sobre isso até o regime colapsar”. É com estas palavras que Hyeonseo Lee começa a sua apresentação. A plateia fita-a em silêncio.

Lee começa então a falar da sua vida, especificamente da sua infância, na Coreia do Norte. Desde pequena que foi cercada pela propaganda política: a sua casa, tal como todas as outras, tinha de ter molduras com imagens da família Kim nas paredes. “O ditador é como se fosse deus, e as pessoas compram as fotografias e tratam das fotografias como se lá estivesse deus”. Aliás, havia oficiais que invadiam a casa das pessoas para controlar o nível de pó que as as molduras tinham.

Na Coreia do Norte, a fotografia do ditador tem de ser considerado o objetivo mais valioso de uma casa. Quando era jovem, houve um incêndio na casa de Hyeonseo, e o pai arriscou a vida para ir buscar os quadros dos líderes. “Se ele não tivesse conseguido seria castigado. Assim, ele foi louvado por salvar as imagens dos ditadores, mas não por ter salvo a companheira e os filhos”.

A lavagem cerebral começava, desde logo, nas escolas, onde os alunos aprendem a considerar os americanos os principais inimigos. “Nós não consideramos os americanos seres humanos normais, somos ensinados a matá-los, quando os encontramos”. Em todo os manuais, de todos os anos escolares, são colocadas fotografias que ensinam as crianças a matar os americanos, apontados como responsáveis por tudo o que de mal acontece no país. “Até a própria fome que matou milhares de pessoas nos anos 90 era culpa do imperialismo dos Estados Unidos”, acrescenta, “Nós víamos os americanos como uns sacanas (...) e nós víamos a Coreia do Norte como o país mais poderoso do mundo. Só mais tarde aprendi a verdade dolorosa do meu país”.

“Comecei a perceber que existiam dois mundos"

A escola, conta, servia também para selecionar as raparigas mais belas, que iriam mais tarde saciar para os desejos sexuais do ditador e dos oficiais do governo. A irmã de um amigo de Hyeonseo era uma das várias raparigas que queria ser selecionada para servir o ditador, pensando que iria ser espiã e não um objeto sexual. Contudo, por ser demasiado baixa, nunca foi selecionada.

Entre 1990 e 2000, viam-se os cadáveres junto das pontes onde jaziam por falta de alimento. Quando os corpos eram retirados, ficava o “cheiro a carne, a carne em decomposição”. “O maior assassino na Coreia do Norte foi a fome. Matou mais de um milhão de pessoas. Nessa altura li uma carta que uma senhora enviou à minha mãe. Na carta, a senhora dizia que ela e a sua família não comiam há semanas. Que estavam todos no chão, literalmente à espera da morte”.

Também não era raro existirem execuções políticas nas ruas. Hyeonseo Lee viu a primeira morte em praça pública, com 7 anos, em 1987. “Vi um homem pendurado pelo pescoço a ser morto em frente da sua família. Quando há uma execução política, a família tem de ficar na fila da frente”.

Como vivia perto da fronteira com a China, a norte-coreana percebeu que conseguia ver, clandestinamente, televisão chinesa - ainda hoje é proibido assistir a televisão estrangeira. Assim, à noite, criava um verdadeira casulo: tapava a televisão com cobertores e ia para debaixo deles. “Comecei a perceber que existiam dois mundos. A escuridão da minha pátria e as cores brilhantes do outro mundo que ficava do outro lado do rio, na China”.

Acaba por fugir para a China, ainda que, inicialmente, não fosse essa a intenção. “Não estava a pensar em fugir do meu país, achava que ia à China durante uma semana e voltava para a minha família”. Contudo, o regresso nunca existiu, por receio de ser torturada e morta quando voltasse à Coreia do Norte. “Eu fugi de um casamento organizado, com 19 anos. Cheguei à China e não sabia onde dormir. Encontrei um emprego mas só depois me apercebi de que era num bordel. Eu não me esqueço do rosto de uma senhora cheio de medo a ensinar-me a fazer uma massagem a um homem. No dia seguinte consegui fugir”, conta.

Depois de três anos a viver na China, Hyeonseo Lee foi apanhada pelas forças policiais. “Quase fui repatriada para a Coreia do Norte. Mas convenci a polícia de que era uma cidadã chinesa. Como as minhas capacidades da língua chinesa eram suficientes para ler jornais, eu consegui responder às perguntas difíceis em chinês e eles acreditaram que eu era chinesa”.

O mais difícil para a norte-coreana era estar afastada da família. “Quando estava escondida na China chorava todas as noites e olhava para a lua, e esperava que a minha mãe também estivesse a olhar para a lua. E falava com a lua como se estivesse a falar com a minha mãe”.

Em 2008, pediu auxílio na Coreia do Sul, onde diz ter experienciado, pela primeira vez, a liberdade de viver numa sociedade aberta. “Eu percebi que todos os humanos deviam ter acesso a isso”. Dividida entre a sede de viver em liberdade e as saudades da família, começava então a questionar porque é que as duas vontades não podiam conviver. Convenceu, assim, a sua família a sair do país e a deixar tudo para trás.

“Primeiro, paguei a um médico para fingir que a minha mãe e o meu irmão tinham morrido. Depois, fiquei à espera deles na fronteira. Ia vê-los pela primeira vez em catorze anos. Não nos podíamos abraçar porque estávamos com medo de sermos apanhados”.

A mãe e o irmão - que tinha a pele mais escura que os chineses - foram presos por ter entrado na China ilegalmente. “Foi o pior momento da minha vida. Eu fiz tudo para tirar a minha família da prisão”. Durante 50 dias, Hyeonseo visitava a sua família e negociava a sua saída da prisão com a polícia. Contudo, não tinha dinheiro suficiente para pagar a multa que lhe exigiam.

“Foi aí que aconteceu algo”, recorda. Nessa altura, conheceu um homem australiano, contou-lhe a história da sua vida, e ele decidiu que queria ajudar. O senhor, que, para a norte-coreana, foi “um anjo”, não só resgatou a sua família, como mais três desertores. “Na altura, até o conhecer, pensava que o mundo era frio, mas depois percebi que os anjos existem, eles estão entre nós”. Hyeonseo Lee acaba por perder contacto com o australiano e só o volta a ver, três anos depois, quando ele assistiu à sua TED Talk.

Eu nem sabia o que eram direitos humanos. Tive de ir ao Google pesquisar para perceber o que era. Eu não sou uma mulher forte, porque tudo aquilo que eu fiz foi por causa da esperança de ver a minha família

No primeiro dia de liberdade da sua mãe, lembra-se de a ver petrificada à frente de uma caixa de multibanco, a observá-la com um ar muito sério. “Ela disse-me que não conseguia imaginar como é que os homens cabiam dentro daquela caixa e como é que contavam o dinheiro tão rapidamente. Ela pensava que estavam lá homens! Às vezes rimo-nos desses incidentes mas eles fazem-nos lembrar de como a vida na Coreia do Norte é ridícula”.

Ainda que tenha fugido do seu país, diz que nunca se vai “livrar” dele. “Eu paguei muito pela minha liberdade. Tive de me separar da minha família durante 17 anos e deixei para trás 17 anos de memórias. Agora, as coisas mais preciosas que tenho são tão simples como beber chá numa esplanada. Eu só vivo em liberdade há nove anos e a liberdade que tenho agora é surreal e espero que dure para sempre”.

O medo de que o regime venha atrás dela continua a existir. “No vídeo de propaganda falam sobre mim. Eu sei que estão a olhar para mim. No ano passado, outra rapariga que aparecia na propaganda política foi sequestrada”. Contudo, continua a sentir a necessidade de contar a sua história. “Eu sinto a obrigação de contar a minha história e o pesadelo que se vive na Coreia do Norte. A minha vida não é só a minha vida, é a vida de 25 milhões de pessoas”.

Hyeonseo Lee considera-se “uma das poucas sortudas” que conseguiu fugir do regime, relembrando que existem mais de 200 mil desertores por todo o mundo. Está longe de se sentir corajosa, afirma. Há um mês alguém lhe perguntou porque queria ser ativista dos direitos humanos. “Eu nem sabia o que eram direitos humanos. Tive de ir ao Google pesquisar para perceber o que era. Eu não sou uma mulher forte, porque tudo aquilo que eu fiz foi por causa da esperança de ver a minha família. Eu sou uma pessoa normal, para mim é difícil aceitar o título de ativista”.

Agora, a viver na Coreia do Sul, é autora do livro “A Mulher com Sete Nomes, publicado em mais de 35 países.

Terry Virts. Os oito minutos que mudam uma vida

Terry Virts, 50 anos, astronauta da NASA, já passou no espaço mais de 200 dias, ou mais de 5,300 horas conforme se queira contar. Contudo, foi em oito minutos que a sua vida mudou.

No dia 16 de maio de 2011, o vaivém espacial Endeavour levantou voo às quatro da manhã, na Flórida. Quando os motores ligaram, iluminaram a cidade, fazendo com que parecesse dia. Era um espetáculo digno de ter milhares de pessoas junto ao Cabo Canaveral à espera de ver partir a quarta maior missão de toda a história da exploração espacial.

O vaivém, com dois milhões de quilos, tem uma velocidade de 25 mil quilómetros por hora, o que significa que demora um segundo a percorrer oito quilómetros. Em oito minutos e meio, numa viagem que “vibrava de forma muito violenta”, o vaivém chega à Estação Espacial Internacional.

“Estes oito minutos de lançamento mudaram a minha vida para sempre”, garante Terry Virts. Além de Terry, na missão STS-134 ia o cosmonauta russo Anton Shkaplerov, que já passou 879 dias no espaço, e a astronauta italiana Samantha Cristoforetti, com quem Terry tem uma história particularmente engraçada.

“De todas as coisas que tive de fazer enquanto piloto, mesmo depois de fazer parte do lançamento no vaivém, a mais difícil e que me causou mais stress foi cortar o cabelo de Samantha, durou cerca de duas horas e meia”, conta Terry, ao mesmo tempo que assegura que não é mito a premissa de o cabelo crescer mais rápido no espaço. “Se eu cortasse mal o cabelo eu sabia que iria ter milhões de mulheres italianas zangadas comigo”.

Esta viagem, confessa Terry, começou, na verdade, na criança de cinco anos que forrava as paredes do quarto com imagens de aviões, planetas e estrelas e que se fascinava com um livro de cartolina repleto de imagens, em que cada página oferecia frases sobre a missão Apollo 11. “Fiquei fascinado desde os cinco anos quando soube que havia pessoas a viajar para a lua. Cresci com imagens de estrelas, mas ainda não pensava em ser astronauta”, conta.

Mais tarde, formou-se na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos da América, em 1989. No fim da sua licenciatura, a agência espacial norte-americana tinha acabado de abrir candidaturas. “Nunca pensei em ser astronauta, mas achei que talvez fosse possível”. Quando comentou com os colegas a intenção de se candidatar, foi surpreendido com as suas reações. “Diziam-me que nunca iria ser escolhido, que não tinha idade ou experiência, que não tinha inteligência suficiente e que não era suficientemente bonito”.

Terry acabou por ser selecionado, tornando-se no mais jovem piloto a entrar para a agência espacial dos EUA.

Recorrendo às várias fotografias que tirou nas suas viagens, Terry traz o espaço até nós, e conta algumas das suas aventuras. “No espaço, temos a sensação de que estamos a cair. Podemos ter esta experiência na Terra durante um segundo se cairmos para dentro de uma piscina”.

A vida do espaço exige que os cosmonautas passem grande parte do tempo a fazer exercício. “Os ossos e os músculos tornam-se mais fracos, podem mesmo ficar atrofiados, e sem exercício começam a desaparecer”. Além da máquina que lhes permite correr, Terry gosta de utilizar a bicicleta, semelhante às que são utilizadas no Tour de France. A única diferença é que estas não precisam de assento.

No espaço “fazem-se coisas diferentes todos os dias”. Terry já teve em missões onde tinham de levar a cabo 250 experiências, muitas delas farmacêuticas, nomeadamente para testar a densidade óssea e muscular. Muitas vezes, os próprios astronautas servem de cobaias nestas experiências. Ao contrário do tradicional pôr-do-sol que deslumbra quem anda por Terra, no espaço Terry tem a oportunidade de ver o pôr-da-lua.

No meio das confusões que estavam a acontecer na Terra, no espaço somos todos amigos

Lá de cima, “também não se vê a população, vê-se apenas riqueza”, diz Terry referindo-se às luzes, visíveis apenas de noite, e que estão distribuídas desproporcionalmente pela Terra. Para fugir do silêncio “absoluto” do espaço e contornar a solidão inerente, os cosmonautas têm ficheiros com o som de pássaros, de chuva e de pessoas a conversar no café.

Um espaço sem espaço para conflitos

No espaço, relembra Terry, não se sente o conflito entre os Estados Unidos e a Rússia. Aliás, o astronauta recorda o episódio em que as luzes do painel de controlo acenderam para indicar que havia uma fuga de amónia, o líquido que no segmento norte-americano serve como refrigerante para arrefecer o motor. Quando o alarme tocou, os norte-americanos refugiaram-se no segmento russo - com o apoio do vice-primeiro ministro russo na altura -, que utiliza glicol em vez de amónia. Apenas voltaram ao seu segmento quando perceberam que se tratava de um falso alarme. “No meio das confusões que estavam a acontecer na Terra, no espaço somos todos amigos. Este é um ótimo exemplo de como as pessoas podem trabalhar juntas”.

Embora diga que foi no espaço que viu Deus e que contemplou as imagens mais sublimes, não esquece que é na Terra que está o que importa: a sua família e os seus amigos. Contudo, depois de ver o planeta lá de cima, Terry passou a olhar para a vida terrestre de outra forma. “Lembro-me de ligar a televisão e ver as notícias e não perceber nada. Não me lembro de nada do que diziam porque não fazia sentido, só ouvia barulho. Há muitas coisas na Terra que não fazem sentido, há tantas coisas que não valem a pena”.

Sylvia Earle. O recife da nossa Terra

Os aplausos que receberam Sylvia Earle no Coliseu dos Recreios foram um dos momentos mais bonitos do dia, levando a figura máxima na defesa dos oceanos a fazer uma vénia como resposta.

Depois de Hyeonseo Lee nos obrigar a refletir sobre os contornos daquilo a que chamamos Humanidade, Sylvia Earle chega a Portugal para nos falar sobre os mistérios do oceano. Nas suas palavras, é “o que nos une a todos”.

“O oceano é a chave da sobrevivência humana. Temos de protegê-lo. As nossas vidas dependem do oceano. Os sistemas da terra e do mar têm de ser salvos. Só assim a nossa vida será possível”, diz, quase em sussurro.

Todos têm consciência do ‘peso pesado’ que têm à sua frente. Sylvia Earle foi a primeira mulher a ser investigadora principal da US National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a primeira Hero For the Planet da revista Time.

A aventura começou quando em 1950 quando começou a explorar o oceano, ainda que em cima de barcos. Ficar à superfície não permitia a Sylvia ter o conhecimento que ambicionava. “É difícil compreender o oceano se ficarmos no convés do navio”. Mais tarde começa então a aprender as técnicas de mergulho, longe de saber que seria uma das primeiras mulheres a fazer parte da investigação nos Estados Unidos.

Se nos dias de hoje ainda é tema uma mulher conquistar determinados postos de trabalho, nos anos 60 todos os olhares recaiam sobre Sylvia. “Encontrei-me, na altura, com jornalistas no Quénia, onde fazíamos exploração no Oceano Índico. Os jornalistas estavam lá para noticiar aquilo que estávamos a explorar, mas a manchete no dia seguinte falava de uma mulher que se metia num barco com 70 homens. Talvez a próxima manchete fale do único homem entre 70 mulheres, mas isso também não é muito certo”.

É também nos anos 60 que Sylvia Earle começa a perceber que os equipamentos que os astronautas utilizavam no espaço podiam ser usados para mergulhar em profundidade. Com as devidas alterações, estes fatos conseguiam fazer com que conseguissem passar muito mais tempo dentro de água. “Eu era pequena demais para vestir o fato porque ele era desenhado para homens grandes e fortes. Tive de tirar uma parte do fato, na zona das pernas, para caber nele”.

E a comparação entre o espaço e o oceano dá-lhe o mote para criticar a falta de apoio. “Estamos no século XXI. Porque é que nós temos milhares de aviões no céu e tão poucos submarinos a explorar o oceano?”, questiona, recebendo uma calorosa salva de palmas.

A vida no fundo dos oceanos está a desaparecer, alerta a exploradora. Os recifes, as florestas amazónicas dos oceanos que são responsáveis por 25% do oxigénio na atmosfera, estão reduzidos a cinzas. Outrora, estes espaços eram muito mais ricos do que qualquer local de terra seca. “O aquecimento global é o culpado”, acrescenta, “o aquecimento do planeta começou a afetar não só o mundo polar, mas também afetou as partes quentes, as partes tropicais do planeta”.

A investigadora diz-nos o que, na realidade, já sabemos: os humanos são os maiores responsáveis pelos danos causados no oceano. Ainda assim, “não vale a pena culpar as gerações antigas”, diz-nos. “Temos de resolver isto agora!”.

Quando saírem daqui, quando olharem para o espelho, vão pensar nos vossos super poderes. Há qualquer coisa que nos faz ser quem nós somos.

Porque os humanos são, na verdade, a melhor esperança para a sobrevivência do oceano, se ganharem consciência do que os envolve. “Nós temos de refletir sobre o custo da nossa prosperidade. Aquilo que nós tiramos do oceano tem consequências que só agora podem ser medidas. Não não sabíamos que tínhamos de tomar conta dos oceanos. Achávamos que tudo era infinito e não nos preocupávamos com as consequências.”, acrescenta.

À medida que Sylvia fala, várias fotografias mostram um oceano cheio de plásticos e resíduos. “O oceano não é o sítio para mandar as coisas fora”. Ao mesmo tempo, o oceano também não é o sítio de onde devemos tirar aquilo que nos convém. “Nós tirámos tantos tubarões do mar que estamos a ameaçar a sua existência e a mudar a dinâmica marítima. Só 10% dos tubarões ainda existe.”.

“Nunca vamos deixar de comer peixe, mas temos de saber os limites do que podemos tirar e pôr no mar. Se nós fizermos um melhor trabalho em ouvir os peixes, imaginar o mundo do ponto de vista deles, conhecer as estruturas sociais deles, talvez tenhamos mais respeito pela sua vida”, acrescenta.

No fundo, o discurso de Sylvia sublinha a faca de dois gumes que enfrentamos. Por um lado, existem motivos para sermos otimistas. “Agora, mais do que nunca, podemos medir as consequências da nossa prosperidade. Estamos aqui como nunca estivemos”. Por outro lado, ainda existe uma enorme falta de vontade em conhecer os oceanos. “O que nós ainda não temos é a vontade de exploração, de querer saber, de querer descobrir”.

No fim, Sylvia faz precisamente aquilo de que menos gostamos, aquilo que não nos convém. Coloca “a bola” do nosso lado, exige que tenhamos consciência de que também podemos ser mudança. “Estou muito contente de estar aqui com vocês. Quando saírem daqui, quando olharem para o espelho, vão pensar nos vossos super poderes. Há qualquer coisa que nos faz ser quem nós somos. Se queremos ter um futuro, temos de tomar conta dos oceanos”.

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