Estas são algumas das perguntas que os bloquistas querem que sejam enviadas para o depoimento por escrito que vai ser pedido ao ex-Presidente da República Cavaco Silva, no âmbito da Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, um requerimento apresentado pelo PS no final de março.

“Em que se baseou para declarar, uma semana antes da apresentação dos prejuízos do BES no 1º semestre de 2014, que “pela informação que tenho, o BdP [Banco de Portugal] tem vindo a atuar muito bem para preservar a estabilidade e solidez do nosso sistema bancário”, pergunta.

O BE pretende ainda que Cavaco Silva esclareça se “recebeu donativos de membros de órgãos de administração do BES ou do GES”, questionando quem foram os financiadores, qual a data e o montante dos respetivos donativos.

Os bloquistas, representados na comissão de inquérito por Mariana Mortágua, querem ainda saber que audiências Cavaco Silva realizou desde 2010 com Ricardo Salgado, enquanto chefe de Estado, ou com outros membros de órgãos de administração do BES ou do GES, pedindo detalhes sobre datas e conteúdo.

“Manteve contactos informais com Ricardo Salgado, com outros membros de órgãos de administração do BES ou do GES ou com alguém em sua representação? A situação do BES/GES foi abordada?”, interroga ainda.

A existência de contactos formais ao longo de 2014, ano do colapso do BES, com o Banco de Portugal, o Governo ou outras instituições acerca da situação daquela instituição é outra das questões que o BE pretende ver esclarecidas.

O tema do BESA é alvo de outra das perguntas a Cavaco Silva.

“Procurou ou manteve algum tipo de contacto com instituições angolanas sobre a situação do BESA ou da garantia soberana sobre uma carteira de créditos daquele banco?”, questiona.

O PS requereu, em 25 de março, os depoimentos por escrito do antigo Presidente da República Cavaco Silva, dos ex-primeiros-ministros Durão Barroso e Passos Coelho e a audição presencial do ex-comissário europeu Carlos Moedas na comissão de inquérito do Novo Banco, audição esta que aconteceu já esta semana.

O anúncio foi feito no parlamento pelo coordenador do PS nesta comissão de inquérito, João Paulo Correia, um dia depois da audição de José Honório, ex-administrador do BES e Novo Banco, que segundo o socialista revelou que o antigo presidente do BES Ricardo Salgado entregou, em 2014, um memorando a cada uma das autoridades políticas em que dava conta do “buraco gigante em que estava enfiado o GES”.

“Passadas poucas semanas, depois destas reuniões que Ricardo Salgado teve com todas estas autoridades políticas, depois de conhecerem a dimensão do buraco do Grupo Espírito Santo, decorreu o aumento de capital do BES de cerca de mil milhões de euros”, referiu, considerando que as autoridades políticas, europeias e nacionais “nada fizeram para impedir este aumento de capital que gerou milhares de lesados” em Portugal.

Para o PS, há responsabilidades que “não estão suficientemente esclarecidas por parte destas autoridades políticas”.