Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos da América, é um assíduo utilizador da rede social Twitter, uma plataforma digital onde qualquer pessoa pode criar uma página e emitir mensagens curtas (com um máximo de 280 caracteres) de forma instantânea para o mundo todo que tenha acesso à rede.

Mesmo antes de ser presidente, Donald Trump era já uma presença frequente no Twitter, com os seus comentários, que transitaram para o executivo que agora lidera, escancarando a porta entre os pensamentos presidenciais e o mundo.

Todavia, nem sempre as mensagens do presidente são pacíficas. E esta semana Trump foi confrontado com o facto de “a rede” não ser um espaço sem regras, sem controlos, e tão transparente quanto ele própria faz parecer.

O Twitter assinalou como apologia da violência uma mensagem difundida pelo Presidente dos Estados Unidos. No ‘tweet’, Donald Trump ameaçou disparar contra as pessoas envolvidas nos protestos de Minneapolis. Foi a segunda vez em poucos dias que a empresa 'colou' mensagens aos comentários do presidente norte-americano.

Comecemos pelo caso mais recente. Escreveu Donald Trump:

"Estes 'BANDIDOS' estão a desonrar a memória de George Floyd e eu não vou deixar que isso aconteça"

"Acabei de falar com o governador Tim Waltz e disse-lhe que pode contar com os militares. Assim que aconteça qualquer dificuldade nós assumimos o controlo. Quando as pilhagens começarem, os tiros começam"

A mensagem de Trump no Twitter referia-se aos protestos que eclodiram na cidade de Minneapolis. Manifestantes indignados com a morte de George Floyd, o afro-americano que morreu sob custódia policial, invadiram uma esquadra da polícia em Minneapolis e incendiaram o local.

O Twitter assinalou e ocultou:

"Essa mensagem viola as regras do Twitter sobre a apologia à violência. No entanto, o Twitter considera que no quadro do interesse público essa mensagem [’tweet’] deve ficar acessível"

Com o ‘tweet’ tapado, Trump encontrou uma alternativa: a dona oficial da Casa Branca, a residência oficial do presidente norte-americano. E o Twitter voltou a ocultar o mesmo ‘tweet’ na conta @WhiteHouse, permitindo o acesso, porém, em razão do "interesse público”.

Braço de ferro entre Trump e o Twitter

Esta quarta-feira, o presidente norte-americano assinou um decreto para limitar a liberdade que as redes sociais possuem para decidir sobre seus conteúdos.

Trump acusa o Twitter de tomar "decisões editoriais" e demonstrar "ativismo político" na escolha das mensagens que decide enviar para verificação.

“Estamos aqui para defender a liberdade de expressão de um dos piores perigos que há”, disse Trump, a partir da Sala Oval, na Casa Branca, enquanto assinava o documento, que é o ponto de partida de uma batalha judicial que se adivinha longa.

O decreto assinado reclama uma nova regulamentação no sentido de que as redes sociais que façam “censura” percam a sua “proteção jurídica” em território americano.

A celebre secção 230 do documento “Communications Decency Act” (Lei da Decência nas Comunicações) concede aos gigantes de Silicon Valley (Facebook, Twitter, YouTube, Google) imunidade contra processos judiciais ligados aos conteúdos publicados por terceiros.

O decreto teria como objetivo modificar o escopo desta lei e permitiria às autoridades reguladoras decidir sobre as políticas de moderação de conteúdo.

“Os republicanos sentem que as plataformas de redes sociais censuram totalmente as vozes conservadoras. Vamos regulamentá-las severamente, ou fechá-las, para evitar que isso aconteça", afirmou o chefe de Estado norte-americano numa mensagem publicada no próprio Twitter.

Trump acusa o Twitter de tomar "decisões editoriais" e mostrar "ativismo político" na escolha das mensagens que decide enviar para verificação. Os seus opositores, contudo, sustentam que o presidente não age em nome da liberdade de expressão, mas em seu próprio interesse.

Isto tudo porque, na terça-feira, e pela primeira vez, a rede social assinalou dois ‘tweets’ do Presidente dos Estados Unidos com um ‘link’ de "verificação de factos" no rodapé das mensagens em questão, por considerar “infundadas” e "potencialmente enganosas" as afirmações de Trump relacionadas com o voto por correspondência naquele país.

Nos dois ‘tweets’, o presidente afirmava que a votação pelos correios era necessariamente "fraudulenta", porque estava sujeita a manipulação.

A questão é particularmente delicada num ano eleitoral afetado pela pandemia de coronavírus, que provoca dúvidas sobre como serão organizadas as eleições presidenciais norte-americanas, marcadas para 3 de novembro, com Trump em busca da reeleição.

"Estes ‘tweets’ contêm informação potencialmente enganosa sobre o processo de votação e foram reportados", afirmou um porta-voz da rede social.

Esta é a primeira vez que o Twitter aponta o dedo ao Presidente dos Estados Unidos, num contexto em que as redes sociais têm sido acusadas de serem permissivas no tratamento das mensagens de dirigentes políticos.

*Com agências

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