Há dois anos, a linguagem bélica marcava a atualidade. As notícias eram outras, as fronteiras também. Recorda-se certamente da declaração do primeiro estado de emergência, a 18 de março de 2020. No seu discurso, a partir de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa usou oito vezes o termo "guerra".

"Esta guerra, porque de uma verdadeira guerra se trata (...)", dizia aos portugueses. A linha da frente era ocupada pelos profissionais de saúde, o inimigo, porém, era (é) outro, um vírus que todos já soletramos — SARS-CoV-2.

O próprio vice-almirante Henrique Gouveia e Melo chegou a admitir ter usado uma “retórica de guerra” no processo de vacinação.

"Usei uma retórica de guerra em que o vírus era o inimigo, em que ou a pessoa estava connosco ou com o vírus", reconheceu.

O coordenador da task-force da vacinação, o mesmo que disse “uso camuflado porque para mim isto é uma guerra”, chegou  a declarar "a vitória da primeira batalha".

"O processo de vacinação venceu o vírus e agora temos de começar a aprender a reganhar a nossa liberdade e a nossa vida", declarou em setembro do ano passado quando Portugal estava perto de atingir a meta dos 86% da população vacinada com a primeira dose da vacina.

Volvidos dois anos do primeiro caso positivo detetado em Portugal, outra guerra domina a atualidade.

Desde que a Rússia lançou na madrugada de quinta-feira passada uma ofensiva militar na Ucrânia, a pandemia de covid-19 passou para segundo plano.

Questionada pela Lusa se teme que as pessoas esqueçam que ainda estão em pandemia e deixem cair algumas medidas de proteção, a diretora-geral da Saúde afirmou que as pessoas estão a tomar as medidas necessárias neste momento.

“As pessoas têm um grande sentido de autopreservação própria e dos que lhes estão próximos e, portanto, a nossa responsabilidade é vigiar cada vez mais e de perto o vírus”, disse a diretora-geral da saúde, assegurando que não estão “a abrandar essa vigilância”, porque há uma guerra: “São duas coisas infelizmente negativas, mas completamente distintas para os serviços de saúde, para quem vigia o vírus, quer a nível clínico, epidemiológico ou laboratorial”.

A pandemia deixou de ter tanta visibilidade “porque há uma guerra” e todos estão “profundamente tristes porque aconteceu”, mas “o vírus ignora completamente que há uma guerra e vai fazer o seu percurso”, disse a responsável.

Apesar de não apontar uma data concreta, Graça Freitas disse, em entrevista à agência Lusa, que o número de casos de covid-19 continua a diminuir, bem como o número de internamentos e de óbitos.

“Temos a expectativa positiva de que no início de abril ou final de março” se desça o patamar estabelecido pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doença de passar para menos de 20 mortes por milhão de habitantes a 14 dias.

“E, portanto, continuamos a acompanhar a evolução da mortalidade. Obviamente não sabemos dizer o dia exato em que isso vai acontecer, mas temos uma expectativa positiva”, salientou na entrevista a propósito dos dois anos de pandemia em Portugal, assinalados hoje.

A diretora-geral da Saúde admitiu também que nos próximos invernos pode vir a ser necessário dar uns passos atrás nas medidas de proteção, fazendo regressar algumas, e que em muitos casos nem vai ser preciso recomendações oficiais para isso acontecer.

Sobre a vacinação, defendeu que se tudo se mantiver como agora, nos próximos anos a tendência será para uma vacinação contra a covid-19 seletiva e sazonal e que a estratégia dependerá das novas vacinas que estão em investigação - "vacinas com outras características e, sobretudo, que tenham um espectro de ação mais amplo, que não sejam só dirigidas por uma variante e que tenham uma duração maior da imunidade”.

Volvidos dois anos, a pandemia de covid-19 passou para segundo plano.

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