Esta posição foi transmitida por Carlos Silva após uma reunião de uma hora com a líder parlamentar do PS, Ana Catarina Mendes, na Assembleia da República, e que teve como tema central a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2020.

"Transmitimos ao PS a necessidade de valorizar os salários em Portugal, não apenas os do setor privado, mas também os da administração pública. Em sede de especialidade, o PS disse-nos que irá procurar junto do Governo verificar até que ponto pode alterar para melhor a proposta de aumento salarial de 0,3% para a administração pública", revelou o secretário-geral da UGT.

Também de acordo com Carlos Silva, na conversa com Ana Catarina Mendes, foi "garantido à UGT que o Governo está a fazer um esforço no sentido de lançar para 2021 uma melhoria do ponto de vista salarial".

"Se a inflação voltar a ser ao nível de 0,3%, independentemente do que acontecer em termos estruturais, o Governo manterá no mínimo aquilo que está no seu programa: 1,1% de aumento para 2021", completou o dirigente máximo da central sindical.

Interrogado se o PS dá como certa a aprovação da proposta do Governo, na generalidade, na próxima sexta-feira, Carlos Silva disse que apenas pode presumir que os socialistas "estão a negociar com os restantes grupos parlamentares, designadamente com aqueles que se encontram à sua esquerda".

"Aquilo que nos foi garantido da parte do PS é que, em sede de especialidade, a mensagem da UGT será transmitida ao Governo. Se vai ou não ter sucesso, essa é uma garantia que a própria Ana Catarina Mendes não deu nesta conversa. Disse-nos que irá tentar que os salários propostos para a administração pública possam merecer uma clara melhoria", frisou o secretário-geral.

Confrontado com declarações proferidas pelo primeiro-ministro, António Costa, na segunda-feira, segundo as quais esta proposta de Orçamento é a melhor desde 2016, Carlos Silva discordou.

"Entendemos que não. O PS e o Governo fazem a sua leitura, mas o movimento sindical faz uma leitura que é divergente. Entendemos que o Orçamento só poderá ser justo se, dentro dos seus critérios, apresentar propostas equilibradas quer para os empregadores, quer para os trabalhadores", contrapôs.

O secretário-geral da UGT salientou ainda que "há promessas do primeiro-ministro de colocar como prioridade da sua governação nesta legislatura a valorização dos salários".

"Ora, neste momento, não nos parece que essa seja a prioridade", observou.

Questionado se, caso assumisse as funções de deputado, viabilizaria a proposta de Orçamento na votação de sexta-feira, o secretário-geral da UGT respondeu: "Não sou deputado e, como tal, tenho dificuldade em responder a essa pergunta".

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