Num debate em que o PS avisou os bloquistas que "chumbar" o documento é "votar contra o país", o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, sublinhou que "as divergências" com o Governo "não são de pormenor, são nas questões fundamentais" e que definem o orçamento, mas voltou a dizer que está disposto a negociar.

"Se há uma porta aberta para as resolver [as divergências], há. Mas não cara falhar às pessoas neste momento crítico" com a crise causada pela pandemia de covid-19 que, nas palavras de Pedro Filipe Soares, está e vai "agigantar-se".

E foi já na fase de debate que o deputado bloquista, em resposta a uma pergunta de João Almeida, do PCP, fez o desafio ao Governo, dizendo que a posição do BE "é clara" quanto ao sentido de voto.

Uma posição, disse, que "não é de intransigência, é até de abertura para rever os pontos de divergência".

"Haja vontade da parte do Governo para ir ao fundamental da vida das pessoas", concluiu.

Minutos antes, Filipe Soares ouviu João Paulo Correia, do PS, em tom exaltado, questionar repetidamente os bloquistas se "ponderam votar contra" um orçamento que prevê um aumento no salário mínimo, a baixa do IVA na eletricidade, um aumento do investimento público em 20% ou que "não vai emprestar nem mais um euro ao fundo de resolução", que tem servido para injetar dinheiro no Novo Banco.

João Paulo Correia terminou afirmando que "não há razões" para juntar "uma crise política" à crise social e económica causada pela pandemia e dramatizou: "Votar contra o Orçamento do Estado é votar contra o país."

Pedro Filipe Soares disse não querer “enrolar-se” na argumentação do PS e discutir “o essencial”, que é, segundo ele, como proteger os portugueses da crise, e criticou o Governo de ter feito promessas por cumprir na contratação de pessoal para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

E relativizou o que foi dito por João Paulo Correia de não estar previsto emprestar “nem mais um euro” ao fundo de resolução dizendo que, ao ler os quadros do Orçamento do Estado, as verbas para o NB “continuam a ir para o défice”.

Da parte do PCP, o líder parlamentar, João Oliveira, afirmou que é necessária uma “resposta global aos problemas nacionais”, que “não se resolvem por si”, sendo “fundamental” a resposta da parte do PS e do Governo.

À direita, PSD e CDS ironizaram com os bloquistas por “só agora”, depois de terem viabilizado vários orçamentos do Governo de António Costa, é que “percebeu que o PS às vezes não cumpre o que está no Orçamento do Estado”, nas palavras da deputada centrista Cecília Meireles.

“Os senhores aprovavam as coisas de cruz e não percebiam que estavam a ser enganados”, interrogou-se o social-democrata Duarte Pacheco.

O BE vai decidir como vota o Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), na generalidade, na Mesa Nacional de 25 de outubro, anunciou hoje a Comissão Política, que mantém as portas abertas às negociações que “não foram bem-sucedidas”.

O Governo apresentou a proposta de Orçamento do Estado de 2021 na segunda-feira, sem garantias de aprovação pela parte dos partidos de esquerda, com aconteceu entre 2015 e 2019, seja pela via do voto a favor ou da abstenção.

BE, PCP e PEV remeteram para mais tarde uma decisão sobre o voto na generalidade, agendada para 28 de outubro. A votação final global está prevista para 26 de novembro, no parlamento.

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