Numa conferência de imprensa online na sede da OMS em Genebra o responsável lembrou o papel que a organização já tinha tido na disseminação dos reagentes PCR, para que os países pudessem testar a presença do vírus, tendo vindo a trabalhar para desenvolver testes mais rápidos e simples de utilizar em qualquer local.

"Esperamos que outros testes rápidos se sigam", disse ao anunciar um acordo com várias entidades para que sejam produzidos estes testes para países com poucos recursos. Na conferência de imprensa foi dito que beneficiarão dos testes 133 países, a maioria em África.

"Isto permitirá a expansão dos testes, particularmente em áreas de difícil acesso que não dispõem de instalações laboratoriais ou de pessoal de saúde com formação suficiente para realizar testes PCR", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, acrescentando que os testes rápidos vão ser disponibilizados ao longo dos próximos seis meses, com um preço de cinco dólares por unidade, "substancialmente mais baratos" do que os testes PCR.

Com um acordo e com um financiamento inicial, é preciso agora mais dinheiro para comprar os testes, avisou, explicando que o mundo tem de angariar mais de 35 mil milhões de dólares para o ACT-Accelerator (Acelerador de Acesso a Ferramentas Covid-19). O ACT-Accelerator é uma colaboração global para acelerar o desenvolvimento, produção e acesso equitativo a testes, medicamentos e vacinas conta a nova pandemia.

Na conferência de imprensa de hoje participaram também Catharina Boehme, diretora executiva da Fundação para Novos e Inovadores Diagnósticos ("Foundation for Innovative New Diagnostics - FIND), e Peter Sands, diretor executivo do Fundo Global de combate à Sida, Tuberculose e Malária.

Os testes rápidos procuram antígenos no corpo, moléculas estranhas que levam o organismo a desencadear formas de defesa. São considerados menos fiáveis do que os testes genéticos PCR, para os quais são precisos procedimentos em laboratório e que podem demorar vários dias.

Maria van Kerkhove, epidemiologista que lidera na OMS a luta contra a pandemia de covid-19, defendeu na conferência de imprensa a importância dos testes rápidos. “O problema dos testes é o tempo que demoram para ter resultados, muitas vezes demoram dias, e isso é complicado para controlar a doença”, disse.

A responsável explicou que os testes rápidos são mais precisos quando há uma carga viral elevada e podem ser “muito úteis” já que podem até ser feitos ao lado do doente. “Há outros testes que estarão disponíveis em breve”, acrescentou.

Catharina Boehme disse que os testes rápidos serão lançados primeiro em 20 países em África e serão fornecidos por dois laboratórios farmacêuticos.

Peter Sands anunciou que a organização que dirige vai disponibilizar 50 milhões de dólares (quase 43 milhões de euros) para o projeto, considerando como “extremamente valiosos” os testes rápidos como complemento dos testes PCR, que podendo ser menos precisos são muito mais rápidos, mais baratos, e não precisam de um laboratório para serem feitos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão de mortos e mais de 33,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.957 pessoas dos 74.029 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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