“Este acordo [entre UE e Mercosul] é particularmente valioso em 2017 porque nós temos a oportunidade e a obrigação de demonstrar que a globalização pode funcionar a favor dos nossos povos”, afirmou João Gomes Cravinho, antigo secretário de Estados dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa.

“Quando há argumentos simplistas e demagógicos que dizem que o livre comércio é algo nocivo e que nós devemos erguer barreiras entre países, nós temos que mostrar uma atitude contrária a este discurso e mostrar que o livre comércio pode trazer felicidade para as nossas populações”, completou.

O Mercosul, bloco económico composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, negoceia com a UE, desde 1999, um amplo acordo comercial.

Num evento realizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) sobre este acordo comercial, João Gomes Cravinho lembrou que a organização sul-americana é o último grande bloco de países com quem a UE ainda tem que completar um acordo de natureza tarifária.

“Falta-nos o Mercosul para completarmos a nossa rede de relacionamentos internacionais. É assim que nós olhamos para este acordo, como sendo um acordo de grande relevância política, não apenas um acordo de natureza comercial”, frisou.

Já o ministro das Relações exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, disse que as negociações dos temas mais importantes devem terminar até ao final de 2017, e lembrou que o acordo indica também uma visão comum sobre o futuro.

“Estamos trabalhando em prol de um acordo de associação que vai no sentido de apontar um futuro diferente. É o futuro do livre comércio, da acolhida daqueles que vem de fora, do respeito aos direitos humanos e da democracia”, destacou.

Fazendo uma avaliação dos desafios da UE, que sofre o impacto da saída do Reino Unido e ameaças trazidas pela ascensão de lideres antiglobalistas em alguns estados membros, o ministro brasileiro argumentou que o acordo com o Mercosul representa uma oportunidade de reafirmação da importância do bloco europeu.

“Reafirmação que vai na contracorrente de algumas propostas políticas que, felizmente, estão sendo derrotadas. É também a possibilidade da UE se reafirmar como um polo económico, político e social. Isto é bom para UE e também para o Mercosul que se beneficiará de ter um parceiro forte”, concluiu.

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