A organização não-governamental (ONG) Amnistia Internacional (AI) declarou ter a confirmação da morte de pelo menos oito manifestantes, incluindo um adolescente, Hadi Bahmani, morto na cidade de Izeh.

As autoridades recorreram à munição real para conter os protestos, segundo a ONG.

De acordo com os meios de comunicação e autoridades iranianas, pelo menos três pessoas foram mortas, incluindo um polícia e um manifestante, quando “oportunistas” e “desordeiros” dispararam contra manifestantes e forças de segurança.

“As forças de segurança iranianas utilizaram força ilegal, incluindo disparos de munição real (…) para esmagar os protestos, na sua maioria pacíficos”, disse a Amnistia Internacional.

A análise das imagens de vídeo dos protestos e relatos de testemunhas indicaram que as forças de segurança usaram armas automáticas, espingardas, bem como gás lacrimogéneo, segundo a AI.

Num comunicado separado, a Human Rights Watch (HRW) referiu também acreditar que as autoridades iranianas tenham “usado força excessiva contra os manifestantes” e pediram ao Governo que “investigue de forma transparente” as mortes relatadas.

“As autoridades iranianas têm um histórico muito preocupante em responder aos manifestantes frustrados com as crescentes dificuldades económicas e a deterioração das condições de vida”, disse Tara Sepehri Far, investigadora da HRW no Irão.

Grupos de direitos humanos acusaram o Irão de reprimir ferozmente os protestos de 2019 em todo o país contra o aumento dos preços dos combustíveis que, segundo a Amnistia, resultou na morte de 304 pessoas.

“As autoridades iranianas têm um histórico de uso de força letal ilegal. Os eventos que estão a decorrer no Cuzistão são ecos assustadores de novembro de 2019”, disse Diana Eltahawy, diretora adjunta da AI para o Médio Oriente e África.

As autoridades iranianas atribuíram a agitação aos manifestantes.

A Amnistia observa que a Agência de Notícias Fars publicou entrevistas com familiares de dois dos homens mortos que se distanciaram das suas ações.

No entanto, a AI citou uma fonte segundo a qual uma das famílias tinha recebido a visita de agentes à paisana que os “obrigaram a relatar diante das câmaras um cenário preparado com antecedência”.

A HRW também observou que o corte da internet foi relatado na região, dizendo que “nos últimos três anos, as autoridades frequentemente restringiram o acesso à informação durante os protestos”.

O Cuzistão, principal região produtora de petróleo do Irão, sofre com uma seca intensa desde março, e abriga uma importante minoria árabe com os seus residentes a reclamar regularmente de serem ignorados pelas autoridades.

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