Os restantes nove candidatos ao lugar de secretário-geral das Nações Unidas felicitaram o antigo primeiro-ministro português, entre eles a comissária europeia Kristalina Georgieva, que entrou na corrida mesmo na reta final.

O ainda secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que cessa funções a 01 de janeiro de 2017 e não escondeu ter outras preferências para a sua sucessão, acabou por reconhecer que Guterres é “uma excelente escolha”.

Mesmo a União Europeia acabou por falar a uma só voz, apesar das críticas à atuação da Comissão Europeia, liderada por Jean-Claude Juncker, que deu uma licença sem vencimento a Kristalina Georgieva para que esta, à última hora, concorresse ao cargo.

O presidente da Comissão Europeia considerou a nomeação de Guterres “um enorme triunfo pessoal” e destacou a “transparência sem precedentes” do processo de seleção, que, curiosamente, uma comissária europeia acabou por manchar.

Proposta pela Bulgária, Georgieva contava também com o apoio da Alemanha, que acabou por garantir que Guterres "pode contar plenamente" com o apoio de Berlim.

Quem se manifestou sempre muito satisfeita foi a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que considerou Guterres um “homem de visão, coração e ação”.

Também Martin Schulz, o socialista que preside ao Parlamento Europeu, foi outro entusiasta: “Ele será um sensacional secretário-geral das Nações Unidas.”

O governo de Madrid recebeu com “satisfação” a notícia da nomeação de “um grande amigo de Espanha”, enquanto a Venezuela, onde reside uma significativa comunidade portuguesa, destacou a "vasta experiência" do ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Com maior ou menor entusiasmo, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – que podiam ter vetado o nome de Guterres – felicitaram o secretário-geral indigitado, mas o Governo português deixou claro, nos seus agradecimentos públicos, quem foram os seus maiores apoiantes: Estados Unidos, China e França.

Do Reino Unido vieram elogios às “qualidades e experiência” de Guterres para “guiar as Nações Unidas nos muitos desafios”.

E a Rússia, que chegou a indicar a preferência por alguém de Leste, acabou por ser a portadora da boa nova. Na qualidade de atual presidente do Conselho de Segurança, o embaixador russo, Vitaly Churkin, elogiou Guterres por ser alguém “que fala com toda a gente e que ouve toda a gente” e que “diz aquilo que pensa”.

Ao longo do processo de seleção, António Guterres chegou a lamentar, brincando, não se chamar “Antonova” – porque seria mulher e de Leste. Efetivamente, uma parte da comunidade internacional empenhou-se em contribuir para a eleição de uma mulher, o que seria uma estreia no cargo.

Depois de oito homens, a Campanha para Eleger Uma Mulher Secretária-Geral da ONU defendia que era chegada a altura de eleger uma mulher e qualificou a nomeação de Guterres como “um desastre para a igualdade de direitos e a igualdade de género”.

A universidade estatal Rutgers de Nova Jérsia, nos Estados Unidos, escreveu na rede social Twitter: “O próximo secretário geral não é uma mulher, mas vamos ter de garantir que é feminista.”

As cerca de 750 organizações não governamentais de todo o mundo reunidas na campanha "1 for 7 billion" (1 por 7 mil milhões), vincaram que a indicação de António Guterres é uma vitória da transparência pela qual tanto lutaram.

“Esperamos que seja instaurado um mandato único, mais longo, o que fortaleceria a capacidade de António Guterres ser o líder inspirador de que a ONU precisa”, defenderam.

Em 5 de outubro, António Guterres foi anunciado como o nome proposto pelo Conselho de Segurança da ONU para suceder a Ban Ki-moon, decisão que cabe à Assembleia-geral ratificar na quinta-feira com uma votação em que bastará uma maioria simples para formalizar o processo.

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