A principal coligação da oposição síria solicitou ao Conselho de Segurança da ONU, durante uma reunião de emergência, que tomasse "medidas imediatas" para proteger os civis.

"Por razões humanitárias, pedimos - rogamos - às partes e a quem tem influência que façam tudo o que estiver a seu alcance para proteger os civis e que nos permitam o acesso à parte cercada do leste de Alepo antes que se torne num gigantesco cemitério", disse O'Brien.

O'Brien acrescentou que os comboios de ajuda humanitária estão prontos para sair da Turquia e do oeste de Alepo, mas que, para isso, é necessário pôr um fim ao cerco e proteger os civis.

Apoiadas por intensos bombardeamentos, as forças do Governo de Bashar al-Assad lançaram a 15 de novembro uma ofensiva contra o leste de Alepo para recuperar essa parte da cidade, nas mãos dos rebeldes desde 2012.

Desde então, o Governo conquistou quase 40% do terreno, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"Chuva de bombas"

"É uma verdadeira chuva de bombas, não podemos arriscar sair", testemunhou um correspondente da AFP, dentro da sua casa. Depois de um ataque com um morteiro, viu uma jovem morta no meio da rua.

Num bairro próximo, pelo menos 26 civis morreram com 'balas perdidas' disparadas pelas tropas do Governo, segundo o OSDH.

250 mil pessoas viviam no leste de Alepo, porém mais de 50 mil fugiram nos últimos quatro dias, segundo o OSDH. Na área não há alimentos, remédios e eletricidade.

Entre eles está Fawwaz al-Ashari, de 56 anos, que abandonou o bairro de Sajur para ir para um centro de acolhimento em Jibrin, 10 km a norte de Alepo.

"Perdi o meu filho mais velho, o meu trabalho e a minha casa. O resto dos meus filhos pedem-me que nos mudemos para um local seguro, pois muitas vezes veem a morte. Quero que conheçam a vida", declarou.

"Os que fogem estão em uma situação desesperada. Muitos perderam tudo e chegam sem qualquer bagagem. É de partir o coração", disse Pawel Krysiek, diretor de comunicação da Cruz Vermelha na Síria.

Sob uma chuva incessante, família inteiras foram para pontos de encontro para embarcar em camiões e autocarros das autoridades, em direção à área controlada pelo Governo, segundo um jornalista da AFP.

Segundo o OSDH, dos 50.000 deslocados, mais de 20.000 se refugiaram na parte oeste de Alepo e outros 30.000 seguiram para Sheikh Maqsud, controlada pelas forças curdas.

Reunião da ONU

Desde o início da ofensiva do Governo a 15 de novembro, cerca de 300 pessoas morreram no leste de Alepo, de acordo com essa organização de direitos humanos. Os rebeldes mataram 48 civis ao disparar foguetes em direção aos bairros governamentais.

A agência de notícias oficial, Sana, indicou que oito habitantes desses bairros, incluindo duas crianças, morreram pelos disparos de foguetes.

Em Nova Iorque, os 15 embaixadores do Conselho de Segurança da ONU abordaram a situação da cidade síria durante numa reunião urgente solicitada pela França.

O ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, declarou que esperava que essa reunião servisse para "parar com o massacre de civis inocentes".

Moscovo, principal aliada de Damasco, denunciou na terça-feira o que chamou "cegueira" dos ocidentais a respeito de Alepo e afirmou que as últimas operações permitiram uma "mudança radical da situação".

Representantes da Rússia e de grupos rebeldes sírios reuniram-se "várias vezes" em Ancara para debater uma trégua em Alepo, indicou à AFP uma fonte próxima aos grupos sírios.

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