Em defesa desta argumentação, Nuno Líbano Monteiro leu em tribunal os depoimentos de várias testemunhas, incluindo os antigos ministros Teixeira dos Santos e Mário Lino para afirmar que “não houve nenhum plano entre Granadeiro e Ricardo Salgado”.

Segundo o advogado, foram várias as testemunhas e também o arguido Zeinal Bava, ex-administrador da PT, que disseram no processo “não se terem apercebido de qualquer plano” gizado entre o presidente do Conselho de Administração da PT e o antigo banqueiro para beneficiar o GES.

Henrique Granadeiro está acusado de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, após o Ministério Público sustentar que este recebeu cerca de 24,5 milhões de euros através da Espírito Santo Enterprises, o alegado “saco azul” do BES, entre 2007 e 2012.

Na longa intervenção, que começou hoje e prossegue segunda-feira, Líbano Monteiro referiu que nenhum dos depoimentos indica que Granadeiro tenha sido influenciado pelo arguido Ricardo Salgado para tomar determinadas decisões em benefício do GES, apesar de reconheceram que entre ambos havia uma relação de proximidade, uma vez que o BES era um parceiro estratégico e acionista da PT.

O advogado questionou como poderia Granadeiro ter beneficiado um acionista da PT “quando havia um escrutínio apertado dos investigadores” sobre as decisões que eram tomadas.

Utilizando um “powerpoint”, Libano Monteiro fez um historial sobre a OPA da Sonae à PT, justificando o fracasso da operação com facto de “o preço oferecido pela Sonae não ser suficiente” e que “o primeiro-ministro José Sócrates estava consciente disso”.

Entre muitos outros pontos abordados, o advogado alegou que o Estado “não influenciou o voto da Caixa Gertal de Depósitos” na votação que chumbou a OPA da Sonae à Portugal Telecom.

O advogado vai continuar as suas alegações na segunda-feira.

A Operação Marquês conta com 28 arguidos deste caso – 19 pessoas e nove empresas – que globalmente o Ministério Público acusou de 188 crimes económico-financeiros na Operação Marquês.

O Ministério Público alegou na quinta-feira que os arguidos devem ir a julgamento “para cabal esclarecimento dos factos investigados” e para que “não seja criada uma rotura por parte do cidadão em relação ao próprio sistema de justiça”.

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