Uma parte da zona encanada da ribeira ruiu, abrindo uma cratera no largo Comandante Augusto Madureira, um sinal da degradação das obras hidrológicas numa zona de encosta, fortemente impermeabilizada pelo elevado número de prédios, que exige obras estruturais, constantemente recusadas pela autarquia, acusaram representantes políticos da oposição que se associaram a uma manifestação de moradores.

“Muita gente está a empurrar com a barriga, mas a questão é que a Câmara também tem obras que são da sua responsabilidade exclusiva e não as faz e não as procura fazer”, afirmou à Lusa Mónica Albuquerque, deputada municipal pelo movimento Evoluir Oeiras.

Aníbal Guerreiro, deputado municipal eleito pela CDU, recorda que este problema é antigo e só pode ser resolvido com vontade política da autarquia.

“Há vários anos que nós temos levantado este problema da Ribeira de Algés e os perigos. Foi preciso haver uma morte no ano passado [durante as cheias na baixa de Algés] e quantas mais vai ser preciso para resolver este problema?” – afirmou o deputado, recordando que as obras de alargamento dos canais subterrâneos já foram prometidas no passado mas nunca foram realizadas.

"E, por outro lado, continua-se a construir, a construir acima desta zona, causando pressão sobre a ribeira que recebe água de quatro concelhos, Lisboa, Amadora, Sintra e Oeiras", adiantou.

A instabilidade dos solos motivou o voto contra da CDU sobre a construção do centro de saúde de Algés no passado recente. “Fomos os únicos contra e a prova de que a obra era mal localizada é que, depois das últimas cheias, esteve nove meses encerrado”.

Agora, perante a cratera de três metros no largo, Aníbal Guerreiro teme que a falta de vontade permaneça. “Vai fazer-se um investimento a resolver este problema do buraco, em vez de se resolver de uma vez por todas o problema maior”.

Mónica Albuquerque concorda e responsabiliza a autarquia pelos problemas estruturais da zona. Há “uma ribeira, que em parte está encanada, em que a manutenção é por conta da Câmara Municipal, é a Câmara Municipal que tem responsabilidades”.

A par disso, os problemas estruturais estão relacionados com a “construção desenfreada que tem sido feita nas últimas décadas aqui nesta zona”, afirmou a deputada do movimento de cidadãos, que elegeu uma vereadora nas últimas eleições.

“Gostaríamos que existissem mais medidas até no orçamento municipal” para a prevenção das cheias, incluindo “medidas de fundo que são da responsabilidade da Câmara”, afirmou a deputada, admitindo que a dimensão do problema obrigue a outros entendimentos.

Seria necessário que “a Câmara se entendesse com as outras instituições, nomeadamente as câmaras municipais vizinhas e a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) para obras mais profundas, essas sim que têm de ser conciliadas também com o Governo”, sublinhou.

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