Em comunicado, esta Ordem manifesta-se “preocupada com o impacto de medidas de natureza político-administrativa adotadas nos últimos anos, que alteraram toda a organização e funcionamento do setor e que ameaçam a sustentabilidade dos pequenos e médios laboratórios de análises clínicas/patologia clínica, que durante décadas assumiram um papel nuclear no acesso dos portugueses aos meios complementares de diagnóstico”.

“Fenómenos como a internalização das análises clínicas nos hospitais e laboratório do Estado ou a integração de unidades privadas locais em operadores de maior dimensão têm vindo a condicionar a ação de todos quantos operam nesta área”, lê-se no comunicado.

Este alerta surge na semana em que a Ordem dos Farmacêuticos vai reunir-se com representantes dos grupos parlamentares do PSD, PS e PCP para “analisar o panorama atual do setor das análises clínicas”.

O setor das análises clínicas é “a segunda área profissional com maior número de farmacêuticos em exercício, depois da farmácia comunitária”.

Segundo a Ordem, têm-se registado “decisões pela administração central, autoridades locais ou administrações hospitalares sem a devida evidência”.

“Sob o argumento de um melhor aproveitamento da capacidade instalada no Serviço Nacional de Saúde (SNS), encaminham-se os doentes para as unidades públicas e despreza-se o regime de complementaridade entre o setor público e privado que constituiu trave-mestra do nosso sistema de saúde”, lê-se no comunicado.

Para a Ordem, “o aproveitamento da capacidade instalada deve ocorrer onde ela efetivamente já existe”.

“Volvidos mais de dois anos da publicação do estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) sobre o setor, continuam por apurar vários indicadores relativos à atividade dos laboratórios clínicos, designadamente o verdadeiro custo unitário dos exames no setor público e a sua competitividade face ao sistema de convenções estabelecido há vários anos”.

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