O anúncio do próximo sínodo, em outubro do próximo ano, surge quando a Igreja ainda está a recuperar das consequências do último encontro dos bispos e a controversa aproximação de Francisco aos casais católicos divorciados e que se voltaram a casar.

O Vaticano quer a participação direta dos jovens no sínodo, que consiste num encontro de todos os bispos católicos à porta fechada durante duas semanas e durante o qual trabalham em recomendações para um futuro documento do papa.

“Quero-vos no centro da atenção porque vos tenho no coração”, escreveu o papa argentino na carta sobre a participação dos jovens nesta nova assembleia geral ordinária em que os bispos vão debater “os jovens, a fé e o discernimento vocacional” para refletir nos meios da Igreja para “acompanhar os jovens no caminho existencial para a maturidade”.

“Um mundo melhor constrói-se também graças aos jovens, que sempre querem mudar e ser generosos”, explicou

Francisco disse que a Igreja “quer escutar a voz, a sensibilidade, a fé dos jovens, bem como dúvidas e críticas”.

O Vaticano planeia colocar um questionário num futuro ‘site’ (www.sinodogiovani2018.va) para os contributos de quaisquer jovens para ajudar a criar a base de uma proposta.

Monsenhor Fabio Fabene, subsecretário do gabinete que está a organizar o encontro, afirmou que as respostas vão ser avaliadas cientificamente para eliminar as que não forem sérias.

Os jovens católicos serão convidados a assistir ao sínodo e a apresentar o seu testemunho, mas sem qualquer direito a votar no texto final.

Um outro questionário será enviado aos padres, bispos e cardeais de todo o mundo, mas algumas questões serão específicas das áreas geográficas.

Assim, os prelados norte-americanos vão receber questões sobre como responder a situações de extrema violência entre a juventude, incluindo gangues, prisões, toxicodependência e casamentos forçados.

As perguntas para os europeus vão abordar a exclusão dos jovens do sistema político e económico e a existência, ou não, de laços intergeracionais.

Os bispos asiáticos responderão sobre como podem usar melhor a linguagem do desporto, ‘media’ e música para comunicar com a juventude.

Francisco desencadeou uma pequena revolução na Igreja ao considerar, na exortação apostólica “Amoris Laetitia” (A Alegria do Amor), a possibilidade de os católicos divorciados e que voltaram a casar serem autorizados a comungar, numa avaliação caso a caso, mas sem pôr em causa o dogma da Igreja da indissolubilidade do casamento.

A questão foi debatida nos anteriores sínodos da família em 2014 e 2015, mas os conservadores acusaram Francisco de ir além do que foi acordado pelos bispos.

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