Para aceder aos 100 lugares no parlamento (Saeima), que se renova de quatro em quatro anos num país com dois milhões de habitantes, concorrem às eleições de sábado 16 partidos, alguns integrados em coligações.

O partido social-democrata Harmonia (SDPS e considerado “pró-russo”), venceu as últimas eleições legislativas em 2014 (23% dos votos e 24 lugares), uma intenção que se repete de novo. Mas apesar de ser então a formação mais votada, não participou no governo, que englobou formações do centro-direita e nacionalistas.

A ex-república soviética do Báltico integra a União Europeia (UE) e a NATO desde 2004, e no início de janeiro de 2014 a Letónia tornou-se ainda no 18.º membro da Zona Euro, uma medida que suscitou uma profunda divisão no país.

As sondagens para o escrutínio de sábado continuam a dar vantagem ao SDPS (16% a 20%), à frente dos Verdes e Agricultores do primeiro-ministro. Quanto ao Unidade, o partido de Valdis Dombrovskis, atual comissário letão e antigo primeiro-ministro, pode simplesmente desaparecer (2 a 6% das intenções de voto).

Num cenário político muito fraturado, novas formações podem integrar o Saeima: o KPV (A quem pertence o Estado?), formação populista e “antissistema”, fundada em maio de 2016; o “Movimento Por!”, partido liberal e pró-europeu fundado em agosto de 2017, que concorre numa lista conjunta Desenvolvimento/Por! com o agrupamento Por um Desenvolvimento da Letónia (também de tendência liberal), formada em abril de 2018.

Nas legislativas de 2014, cerca de 300 mil pessoas foram impedidas de votar devido ao seu estatuto de “não-cidadão” — na generalidade de origem russa e instalados na região durante a ex-URSS –, e que lhes retira diversos direitos fundamentais. A minoria de origem russa representa perto de um terço dos habitantes da Letónia, caso se incluam os russos já naturalizados e que constituem a base de apoio do SDPS.

A atual campanha eleitoral nesta pequena república do Báltico e ex-república soviética foi caracterizada por períodos de tensão devido à campanha de ataques sem precedentes, por um jornal económico, contra a ministra das Finanças, para além da ampla utilização das redes sociais.

Em agosto e setembro, a ministra das Finanças, Dana Reizniece-Ozola, 36 anos e filiada na União dos Verdes e Agricultores, protagonizou várias manchetes do diário económico Dienas bizness e foi designada “dona máfia” por apoiar funcionários alegadamente envolvidos em irregularidades.

Segundo o Centro Báltico para Jornalismo de Investigação (Re:Baltica), a campanha do Dienas bizness insere-se num plano mais vasto para promover um novo partido populista designado “A quem pertence o Estado?” (KPVLV), um possível parceiro do russófilo partido Harmonia.

O partido da ministra das Finanças (União Verdes e Agricultores) registou, no entanto, um recuo nas últimas sondagens e apenas obteve 11,5% das intenções de voto em agosto, enquanto ao KPVLV foram atribuídos 7,5%.

Em conjunto, os três partidos apenas garantem 40% das intenções de voto, sem incluir os 23% que ainda se declaravam indecisos. Os observadores não excluem a obtenção de uma sólida maioria por estas três formações.