Na apresentação do projeto de lei do PS, o deputado socialista Pedro Delgado Alves vincou que a lei portuguesa já estabelece “condições para que cada jornalista possa exercer a profissão”, nomeadamente relativamente à “independência dos meios de comunicação face ao poder político e económico”.

Contudo, apesar de este contexto ser “dos mais robustos” a nível europeu, “subiste uma área de intervenção, que é a inclusão dos jornalistas em exercício de funções entre as entidades e pessoas que são objeto de proteção acrescida”.

Isso aplica-se não só às situações de homicídio qualificado, como também aos crimes de ameaça e coação, precisou.

Com um documento semelhante, o BE apresentou o seu projeto de lei “num momento particularmente conturbado do setor da comunicação social”, afirmou o bloquista Jorge Campos na sua intervenção.

“A maioria das empresas enfrenta dificuldades de vária ordem, com a crise do papel, a queda significativa das receitas publicitárias e o desafio do digital”, enumerou.

De acordo com Jorge Campos, nesta “conjuntura marcada pela incerteza”, nem sempre “é fácil para um jornalista, tantas vezes precário e mal pago, apresentar queixa quando ocorrem situações deste tipo”, algo que a lei, caso seja alterada, vai acautelar.

O objetivo é, ainda, tornar crime público “as agressões a jornalistas no exercício das suas funções ou por causa delas”.

Em causa está o artigo 132 do Código Penal, referente ao homicídio qualificado, com o PS e o BE a proporem que passe a ser “suscetível de revelar a especial censurabilidade ou perversidade” os atos cometidos contra jornalistas.

Ali são já visadas entidades como o Conselho de Estado ou a Provedoria de Justiça e profissões como advogados, agentes de execução, polícias, professores e árbitros.

Intervindo na sessão, o deputado do PSD Carlos Peixoto assegurou que o partido “não quebrará o consenso” sobre este tema, já que “o reforço da proteção dos jornalistas e da sua profissão potencia e salvaguarda a liberdade de imprensa”, mesmo que Portugal não seja um país de “risco premente”.

Também o centrista João Almeida notou que “há ameaças” para a profissão e o atual “ordenamento jurídico-penal pode não ser suficiente” para as salvaguardar.

Enquanto o deputado do PEV José Luís Ferreira observou que “as agressões a jornalistas podem colocar em causa o direito à informação”, o comunista António Filipe destacou que “há um vasto elenco de profissões [nas de proteção acrescida] e não se percebe porque é que os jornalistas não estavam abrangidos”.

A votação destes projetos de lei será feita na sexta-feira, com os documentos a baixarem, de seguida, à especialidade.

Depois deverão ser também ouvidas entidades como a Ordem dos Advogados, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e o Sindicato dos Jornalistas.

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