Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, o movimento explica que a associação, cuja criação foi decidida no domingo, “pretende acompanhar os trabalhos de apuramento das responsabilidades naquela que foi considerada a maior tragédia nacional em matéria de fogos florestais, em termos de poder de destruição e de vítimas mortais".

O documento adianta que se pretende prestar apoio social, jurídico e técnico às vítimas, formar a população em medidas de autoproteção contra incêndios florestais, entre outras medidas, bem como prestar uma homenagem aos mortos com a construção de um memorial.

A futura Associação dos Familiares das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande defende que a versão oficial dos acontecimentos "deve ter em linha de conta a versão das verdadeiras vítimas da tragédia, não permitindo assim que a versão institucional seja a única versão e dita como oficial".

"A partir do apuramento da verdade dos factos, da discussão e aprovação da nova estratégia para a floresta, da defesa de pessoas e bens e para a reconstrução da região afetada, a mudança de mentalidades e a assunção do compromisso firme por parte das autoridades é uma meta a que a Associação dos Familiares das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande se propõe alcançar", sublinha.

O encontro de domingo contou com a presença de José Manuel Mendes, coordenador do Observatório do Risco (OSIRIS), do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e de Pedro Araújo, investigador do OSIRIS e autor da obra "Compaixão, Expiação e Indiferença do Estado - Notas sobre a tragédia de Entre-os-Rios".

Esteve ainda presente Domingos Xavier Viegas, coordenador do Centro de Estudos sobre os Incêndios Florestais da ADAI, responsável pela elaboração do Relatório Oficial sobre o comportamento do incêndio florestal que deflagrou no dia 17, no qual morreram 64 pessoas.

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