“Sentimo-nos desprezados no dia-a-dia. As instituições, a Câmara [Municipal de Lisboa], o Presidente [da República] e o Governo não nos dão apoio. Cada vez vê-se mais gente a viver na rua. A promessa de Marcelo Rebelo de Sousa foi tirar os sem-abrigo da rua, dar-lhes dignidade e dar-lhes uma casa. Mas cada vez há mais despejos, mais desemprego, mais pessoas na rua. E menos respostas”, adiantam em comunicado.

A nota sublinha que a manifestação vai ser organizada “pela primeira vez e sem ninguém a falar” pelas pessoas em situação de sem-abrigo, “sem sindicatos, sem partidos, sem associações”.

Os albergues “não têm condições”, alerta o documento, distribuído por Marta Silva, ativista da Seara - Grupo de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, em nome dos promotores da manifestação, acrescentando que “cada pessoa tem um número, ali o nome não existe”.

“A Câmara Municipal de Lisboa e a Santa Casa da Misericórdia têm tanta casa fechada, queremos abri-las e organizá-las. Queremos ter uma casa onde viver com dignidade e ter uma morada para dar numa entrevista de trabalho. E queremos ter dignidade, sem estar sujeitos ao desprezo que sentimos todos os dias”, acrescentam os organizadores da manifestação, que apelam à participação de todas as pessoas que “estão desempregadas e em dificuldades”, acrescentou.

“A revolução que vai haver não é de cravos, nem de rosas, é de sem-abrigo”, finaliza a nota.

Esta manifestação foi convocada poucos dias depois do despejo de 13 pessoas carenciadas ou em situação de sem-abrigo de um antigo infantário, em Arroios (Lisboa), que estava ocupado ilegalmente e a servir como um centro de apoio para pessoas carenciadas. A Seara prestava apoio a estas pessoas

O edifício foi, entretanto, emparedado para impedir a entrada no imóvel.

Seis das 13 pessoas que estavam no centro ilegal de apoio a carenciados conseguiram alojamento através da Santa Casa da Misericórdia, enquanto as restantes sete pessoas em situação de sem-abrigo ficaram alojadas em quartos ou espaços de acolhimento.

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