O deputado João Gonçalves Pereira, do CDS, dedicou a sua declaração política ao documento elaborado pelo consultor António Costa Silva e considerou “verdadeiramente extraordinário" que um plano que se propõe pensar a 10 anos ainda venha "embrulhado na retórica da crise anterior”.

“Honestamente, não me recordo de ouvir nesta câmara uma única voz defender que a solução para vencer esta nova crise passa por anular o papel do Estado na economia ou na sociedade portuguesa. Como, aliás, não me recordo de o ouvir em nenhuma das anteriores legislaturas”, assinalou o centrista.

O deputado considerou também “estranho” que os “membros do Governo e demais consultores insistam em preferir a retórica à realidade, o remoque ideológico ao contributo sustentado, o fogo de vista à visão concreta”.

“Pelo caminho, aqui estamos, senhores deputados, a discutir um país imaginário que só existe no papel para não falarmos do país real, onde a crise verdadeiramente chegou, e que não se resolve com consultores, documentos encadernados e floreados ideológicos”, salientou João Gonçalves Pereira, argumentando que o CDS está disponível “para discutir o país real e não as sessões de propaganda”.

O democrata-cristão considerou igualmente que “tão ou mais grave do que o aparato narrativo” é o que este plano “está projetado, mas não orçamentado”, apontando que “imaginou-se tudo em grande, mas não se fizeram grandes contas”.

Apontando temer que a visão estratégica de Costa e Silva acabe por ser “um enorme vazio”, Gonçalves Pereira considerou que demonstra uma “incoerência total entre o sufragado pelos eleitores e o negociado nos corredores do parlamento, uma inércia absoluta de um Governo que se vê obrigado a simular crises políticas para aprovar orçamentos e sem mostrar qualquer iniciativa”.

“Foi um discurso agarrado a preconceitos ideológicos, ignorando completamente a realidade, esta realidade cujos preconceitos que demonstrou e as suas convicções não resolvem nenhum dos problemas que temos hoje”, acusou o socialista Carlos Pereira, do PS.

Filipa Roseta, do PSD, afirmou que a visão estratégica de Costa e Silva “reúne tudo” em matéria “de obras públicas, habitação e infraestruturas”, mas “falta fazer”, e acusou o Governo de demonstrar “uma gritante incapacidade de execução como não há memória”.

“A política de recuperação de rendimentos que existiu nos últimos anos e que permitiu ultrapassar a crise que estávamos a atravessar foi a política determinante para podermos ter uma recuperação económica como a que vimos no nosso país”, destacou Isabel Pires, do BE, criticando o facto de o CDS não se ter incluído na sua intervenção as matérias do trabalho e dos rendimentos.

O deputado Bruno Dias, do PCP, defendeu que “não basta enunciar propostas e objetivos”, é preciso saber “como e ao serviço de quem esses objetivos se devem concretizar” e advogou que “a solução para os problemas nacionais não passa por uma política de direita retocada ou maquilhada por meia dúzia de ideias que há muito deveriam estar concretizadas”.

Por seu turno, o deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, considerou que a “Visão Estratégica para o Plano de Recuperação 2020/2030” se "assemelha cada vez mais a uma miragem poética que está condenada a uma prateleira qualquer".

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