"Os assuntos internos de Itália não dizem respeito ao ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal, naturalmente, mas os assuntos europeus dizem, portanto o que desejo é que o próximo governo a formar em Itália seja um governo que respeite os valores e os compromissos europeus, porque a UE - e dentro dela, a Zona Euro - precisam muito da Itália. A Itália saberá estar à altura dessa nossa necessidade", disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Santos Silva, que falava à margem de uma conferência na Fundação Gulbenkian sobre o "Futuro da Democracia na Europa, comentava assim os resultados das eleições legislativas de domingo em Itália, nas quais o Movimento 5 Estrelas (M5S, populista), foi o partido mais votado, com mais de 32% dos votos. No entanto, uma coligação de centro-direita que integra uma formação eurocética e anti-imigração pode vir a formar governo.

O candidato da Liga (extrema-direita) nas eleições de Itália, Matteo Salvini, afirmou hoje que a coligação de direita que partilha com outros partidos tem "o direito e o dever de governar" e reivindicou a direção do executivo.

Salvini disse que os resultados indicam que a coligação de direita vai liderar o próximo Governo e que o seu partido deve presidir o executivo, após ultrapassar o seu parceiro de coligação Forza Italia, de Silvio Berlusconi, nas eleições de domingo.

"São resultados muito complexos, a leitura não é simples. Mas estou certo de que as instituições italianas, os partidos políticos italianos saberão interpretá-los e agir de forma a respeitá-los e a constituir um governo que seja estável", comentou o ministro português.

Questionado diretamente sobre se os resultados das eleições italianas podem pôr em perigo os compromissos europeus de Itália, Santos Silva preferiu ser prudente.

"Vamos ver. Os resultados eleitorais nos últimos tempos não têm sido simples, a interpretação não tem sido simples. Portanto, os países vão adquirindo treino suficiente para interpretar os sinais, por vezes contraditórios, para encontrar soluções de estabilidade política, que ao mesmo tempo respeitem a vontade do eleitorado, mas que respeitem também os compromissos que os Estados-membros da UE, entre si, assumiram.

Segundo os resultados parciais das eleições legislativas, quando estão contados dois terços dos boletins, a coligação formada pela Força Itália, de Silvio Berlusconi, a Liga e o pequeno partido Irmãos de Itália obteve cerca de 37% dos votos.

Na coligação, é a Liga, de Matteo Salvini, formação eurocética e anti-imigração, aliada de Marine Le Pen (do partido de extrema-direita francês Frente Nacional) na Europa, que ocupa a liderança da corrida eleitoral.

A Liga passou de 5% dos votos nas eleições de há cinco anos para quase 18% no domingo, enquanto a Força Itália terá reunido 14%.

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