Guadalupe Cabral, da Universidade Nova de Lisboa, foi premiada na categoria de investigação clínica pelo trabalho sobre cancro da mama, enquanto João Peça, da Universidade de Coimbra, na de investigação básica foi distinguido pelo trabalho sobre autismo. Cada um vai receber 25 mil euros.

Os Prémios Pfizer de Investigação são atribuídos anualmente, desde 1956, pela farmacêutica Pfizer, que os financia, e pela Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa, responsável pela avaliação das candidaturas.

A investigadora Guadalupe Cabral, do Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa, descobriu um potencial marcador biológico capaz de predizer a resposta de doentes com cancro da mama à quimioterapia administrada antes da remoção do tumor numa cirurgia.

O marcador é a molécula HLA-DR, expressa nas células imunitárias linfócitos T citotóxicos.

A bióloga, especialista em imunologia, explicou à Lusa que nas doentes que não respondem à quimioterapia neoadjuvante, a que é dada para reduzir o tumor antes da cirurgia, os linfócitos T citotóxicos não estão ativados porque não têm uma elevada expressão da HLA-DR.

"A elevada quantidade desta molécula significa que a célula está ativa", frisou, assinalando que a HLA-DR pode ser um "marcador preditivo" da resposta do doente à quimioterapia.

Ou seja, o médico pode "usar a informação" obtida numa biópsia para decidir se uma doente deve receber a quimioterapia antes da cirurgia, porque o tratamento a vai beneficiar efetivamente, ou se, em contrapartida, deve ser direcionada para uma terapêutica alternativa mais adequada.

O trabalho realizado por Guadalupe Cabral consistiu na análise de amostras de tumores da mama de 30 doentes antes e depois da cirurgia, comparando os efeitos da quimioterapia administrada antes da remoção do tumor.

Em testes laboratoriais paralelos, a equipa verificou que os linfócitos T citotóxicos desempenham um papel importante na eliminação das células tumorais.

A investigadora irá validar os resultados com uma amostra maior de tumores de doentes.

João Peça, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, focou-se no estudo do gene 'Gprasp2', que "regula uma via de sinalização neuronal que está alterada em vários casos" de autismo.

Apesar de o gene ser responsável por "uma pequena percentagem das mutações conhecidas", pode, de acordo com a equipa, ser um potencial alvo terapêutico, uma vez que regula "uma via de sinalização neuronal comum que aparece desregulada" em vários tipos de autismo.

Esta "via de sinalização neuronal", que está desregulada nos autistas, é mediada por uns recetores específicos dos neurónios, os chamados recetores metabotrópicos de glutamato, proteínas envolvidas na comunicação entre neurónios (células cerebrais).

Numa próxima etapa, a equipa de João Peça pretende aprofundar o estudo do gene 'Gprasp2', bloqueando ou ativando a expressão do regulador neuronal em ratinhos que mimetizam comportamentos autistas.

A dificuldade no tratamento do autismo, uma perturbação no comportamento, reside no facto de estar associado a mutações em mais de 300 genes, que têm funções neuronais muitos diversas que resultam em formas distintas de autismo.

Manifestando-se em crianças, o autismo caracteriza-se por comportamentos repetitivos e défices de comunicação e interação social.

O júri que avaliou as candidaturas foi liderado por Luís Graça, que preside à Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa.

A entrega dos prémios será feita hoje no Teatro Thalia, em Lisboa.

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