Em declarações à agência Lusa, Paulo Pimenta de Castro explicou que “cada vez mais o território está mais empobrecido”, quando poderia ser recuperado “com outro tipo de opções”, com uma maior aposta em agricultura, florestas e turismo.

“As pessoas mais ligadas à área do eucalipto vêm sistematicamente dizer que o sobreiro também arde […]. A questão é saber se isso justifica a opção por outras [espécies] mais combustíveis do que umas menos combustíveis e com elevada carga arbórea, que no caso das explorações agroflorestais não existe porque há alguma compartimentação ou alguma dispersão. Nesse caso, os incêndios terão uma progressão mais lenta”, acrescentou.

Neste sentido, Paulo Pimenta de Castro defende que Portugal deve “deixar de uma vez por todas de apostar em monoculturas extensíveis ao longo do país”, quando o território português “oferece uma grande possibilidade de diversificar culturas e atividades”.

“Enquanto promovermos este tipo de dispersão de arvoredo sem qualquer tipo de gestão ao longo do território, vamos ter riscos de incêndios assegurados”, sublinhou.

O presidente da Acréscimo notou ainda que, se a este cenário se juntar alterações climáticas, aquecimento, aumentos de temperatura e a progressão do vento, o país poderá “ter este cenário de 2016, 2017 e agora 2018 em ato contínuo nos anos vindouros”.

Em comunicado, a associação dá conta de que “o território nacional é vítima de uma epidemia de eucaliptos, áreas com forte densidade arbórea e com uma gestão de abandono”, acrescentando que “o incêndio em Monchique é mais um caso de outros que aconteceram e muitos que irão ocorrer em breve”.

Relativamente aos planos de prevenção e combate a incêndios, Paulo Pimenta de Castro admitiu a sua importância, mas destacou que “um plano não assegura redução de risco por si só”.

“A mata nacional de Leiria tem um plano aprovado há quase uma década e no ano passado ardeu como se viu porque a gestão não acompanhou o que estava expresso no plano”, sustentou.

O dirigente criticou também o facto de o cadastro florestal não funcionar “na parte do país que oferece maior risco de incêndio”, nomeadamente em Monchique, onde há um incêndio a deflagrar desde sexta-feira.

“Nós não percebemos como é que se faz política para agentes económicos, neste caso produtores florestais, sem que os conheçamos. É impossível fazer política florestal se eu não sei a quem aplicar”, criticou.

Paulo Pimenta de Castro referiu ainda que "o turismo vale 10 vezes mais que o setor florestal todo, em termos do Produto Interno Bruto", e que o país está a "matar turismo" com "este tipo de ocorrências sistemáticas".

"Quem é que vem visitar um país que arde como nós estamos a arder?", concluiu.

O incêndio que deflagrou na sexta-feira em Monchique, no distrito de Faro, fez 30 feridos, um dos quais em estado grave.

O fogo lavra também nos concelhos vizinhos de Silves e Portimão.

Segundo o Sistema de Emergência da União Europeia, arderam 17.400 hectares nestes cinco dias.

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